Está aqui

Dirigentes israelitas: esperam-vos em Haia!

O estado israelita e os chefes do seu exército acabarão por ser considerados como responsáveis pelo massacre de massas premeditado em Gaza. Responsáveis perante o mundo, os tribunais de justiça e a história. Não haverá circunstâncias atenuantes. Por Michel Warschawski

Netanyahu, Bennet, Lieberman, Ya´alon y Gantz: esperam-vos em Haia!

Inteirámos-nos pela imprensa de que o governo israelita decidiu chamar às fileiras outros 16.000 soldados da reserva, de tal forma que terá 86.000 soldados a participar na campanha contra Gaza. Supondo que em Gaza vivem 1,7 milhões de pessoas, depois da dedução de uns 5.000 combatentes do Hamas e de outras organizações (estimativa exagerada), esse número significa que haverá um soldado por cada dez civis na região mais densamente povoada do mundo. Sobre a questão da densidade, vou escrever mais tarde, mas continuemos com os números. 86.000 soldados equipados com o melhor das armas modernas, com uma artilharia e uma aviação, contra 5.000 militantes, isto é, 17 soldados por cada militante. A campanha dura já há três semanas e dir-se-ia que está longe de ter terminado.

Não é necessário ser um grande perito para compreender que a incapacidade das forças militares massivas de Israel para derrotar cerca de 5.000 combatentes ilustra que é uma resistência que goza de um apoio popular em massa

Não é necessário ser um grande perito para compreender que a incapacidade das forças militares massivas de Israel para derrotar cerca de 5.000 combatentes ilustra que é uma resistência que goza de um apoio popular em massa, e todos os “comentaristas” e “peritos” das rádios e televisões estão num erro incrível, ou estão a tentar enganar intencionalmente a opinião pública israelita quando explicam que o Hamas governa pela força sobre a população de Gaza. Se durante os dois últimos anos, as críticas da população de Gaza à sua direção cresceu, nesta guerra o Hamas ganhou uma popularidade reencontrada de forma honrada e valente. E não só uma popularidade na faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia e em todo o mundo árabe.

Quaisquer que sejam os acordos de cessar-fogo, o Hamas ganhou bastante claramente.

E o estado de Israel? Deve preparar-se para um reforço do seu isolamento internacional, e para que os seus dirigentes tomem o caminho do Tribunal Penal Internacional. Pois isto não é uma guerra, é um massacre planificado. Neste contexto, não tenho nada a acrescentar ao que escreveu o jornalista B. Michael (Ha’aretz de 30 de julho de 2014): “... e quando o menino número 100, a idosa de 80 anos, e os 300 'não implicados' são assassinados num bombardeamento de precisão e com bombas lançadas a um alvo, a desculpa da pressa não basta. Isto é já intencional, produto de uma decisão, o fruto podre de um comando consciente, voluntário, que sabe com certeza que as crianças, as mulheres, as pessoas idosas, o indefeso e o inocente, serão assassinados. O 'não foi minha intenção' já não funciona... Tendo em conta o resultado, é uma consequência das ordens. E a partir daí, será difícil ser purificado”.

Efetivamente, e quanto antes melhor, os dirigentes do Estado e do exército, com os seus pilotos e os seus artilheiros, deverão prestar contas pelo massacre de massas premeditado: contas perante o mundo, os tribunais de justiça e, certamente, perante a história. Não haverá circunstâncias atenuantes.

Artigo de Michel Warschawski (Estrasburgo, 1949) publicado em alternativenews.org, traduzido para espanhol por Faustino Eguberri para vientosur.info e para português por Carlos Santos para esquerda.net

(...)

Resto dossier

Gaza: massacre e resistência

O bombardeamento e ocupação militar israelita da Faixa de Gaza deixou mais um rasto de morte e destruição, com Israel a agir novamente sob a proteção e apoio militar das grandes potências, inclusive para arrasar instalações das Nações Unidas. Dossier organizado por Luís Branco.

Shahd Wadi: “A limpeza étnica de Gaza é um massacre contra a humanidade”

Em entrevista ao esquerda.net, Shahd Wadi fala da vida em Gaza, lembra que há um cerco à Faixa desde 2007 e alerta que mesmo que os bombardeamentos cessem, a vida será “muito mais difícil do que já era antes”. A luso-palestiniana fala-nos também da campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), um movimento semelhante ao que existiu contra o apartheid na África do Sul.

Gaza, entre a morte lenta ou rápida

Um cessar-fogo em Gaza, sem levantar o bloqueio, significa que os palestinianos de Gaza serão forçados a aceitar morrer lentamente pelas políticas de bloqueio israelita, em vez de morrer rapidamente pela mais sofisticada máquina de guerra. Artigo de Hikmat Ajjuri, embaixador da Palestina em Portugal

A "Operação Estupidez" de Netanyahu

Como seria a história se tivesse sido escrita ao estilo da Operação "Penhasco Sólido" (também conhecida como "Limite Protetor")? Artigo de Uri Avnery

Telavive: assim se fabrica a guerra infinita

Israel não deseja a paz. Nunca quis tanto que estivesse errado o que escrevo. Mas as evidências acumulam-se. Na verdade, pode-se dizer que Israel nunca desejou a paz – uma paz justa, ou seja, baseada num acordo justo para ambos os lados. Artigo de Gideon Levy, jornalista israelita, publicado no Haaretz.

A verdadeira história de Gaza

Nada do que se vê hoje na Palestina tem a ver com o assassinato de três israelitas na Cisjordânia ocupada, nem com o assassinato de um palestiniano na Jerusalém Leste ocupada. Tudo, ali, sempre, é disputa por terra dos árabes. Artigo de Robert Fisk.

“Israel atacou para travar a reconciliação palestiniana”

Especialista do mundo árabe, Gilbert Achcar fala nesta entrevista sobre a situação em Gaza e a posição do Hamas, apanhado entre o ataque israelita e a política de aproximação à Autoridade Palestiniana.

Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa

Desde 1948, os palestinianos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Artigo de Eduardo Galeano.

Para a família da milésima vítima da chacina genocida de Israel em Gaza

Tenho esperança que, neste pior momento da sua vida, quando os palestinianos estão em Shujaiya, Deir al-Balah ou Gaza a olhar para o matadouro criado pelos aviões, tanques e artilharia israelitas, não perca a esperança na humanidade. Artigo do historiador israelita Ilan Pappe, publicado em The Electronic Intifada.

O que há de novo no atual massacre de Gaza?

As esperanças nutridas entre os palestinos desde os acordos de Oslo em 1993-4 de que pudesse surgir o seu estado ao lado de Israel foram sepultadas pela implacável e constante política de limpeza étnica dos sionistas. Artigo de Waldo Mermelstein.

Dirigentes israelitas: esperam-vos em Haia!

O estado israelita e os chefes do seu exército acabarão por ser considerados como responsáveis pelo massacre de massas premeditado em Gaza. Responsáveis perante o mundo, os tribunais de justiça e a história. Não haverá circunstâncias atenuantes. Por Michel Warschawski

Gaza: O massacre visto por dentro

Dois médicos noruegueses em Gaza descrevem, atónitos, uma guerra que visa especialmente residências e hospitais e faz a população acreditar que já “não há nada a perder”. Por Gideon Levy e Alex Levac, no Haaretz.

"Por que não vou combater em Gaza"

O portal Mediapart publicou o testemunho de um "refuznik", cidadão israelita que fugiu para a Holanda para não reintegrar o exécito e combater em Gaza na operação que já fez mais de mil mortos em 20 dias.