Tatiana Heleno

Tatiana Heleno

Cardiopneumologista e Neurofisiologista. Ativista pelos direitos humanos.

Não é necessário ser-se mulher para ser feminista, basta ser humano e não aceitar viver num mundo onde metade da humanidade tem de pedir desculpa por existir.

Se este dia tivesse um pingo de honestidade este deveria ser o ponto de partida — não as flores, não os jantares, não as promessas repetidas, mas a verdade que o país prefere empurrar para dentro de casa e fechar à chave, porque enquanto celebramos o amor como produto, continuamos a falhar naquilo que ele deveria garantir: segurança, dignidade e vida.

Mesmo que o salário tenha chegado, chega para quem? Para quem ganha 700 euros? Para quem vive de uma reforma de 400 euros? Para quem terá de continuar a pagar renda, empréstimos, eletricidade, água mesmo sem casa habitável?

A primeira volta não serve para fazer contas com base no medo. Serve para afirmar projetos, para mostrar que existem caminhos diferentes, para dizer que não aceitamos que o debate político seja reduzido a insulto versus simpatia televisiva.

Não é possível degradar aquilo que o próprio governo abandonou. O que se degrada não são as residências — é o contrato social. O que se degrada é a ideia de que a educação deve servir todos. Um país que trata os seus estudantes mais vulneráveis como problema está a declarar falência moral.