Leonor Rosas

Leonor Rosas

Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais na NOVA-FCSH. Mestranda em Antropologia sobre colonialismo, memória e espaço público na FCSH. Deputada na AM de Lisboa pelo Bloco de Esquerda. Ativista estudantil e feminista

Na nossa infinita pluralidade como mulheres (...), somos todas vítimas de uma opressão que se baseia num corpo (controlado, vigiado, regrado, avaliado, agredido, violado, menosprezado). Talvez um dia o corpo que ocupamos pouco ou nada importe. Estamos ainda longe desse dia.

Estes foram os meus livros preferidos de 2023, que me ensoparam até aos ossos como a chuva do Cortázar.

Não, a faculdade não é uma fábrica de trabalhadores para seguirem para o mercado de trabalho. Queremos um espaço que alimente o pensamento crítico, que crie pessoas alerta para as injustiças e transformações sociais e que não se conformem. Nessa faculdade, a polícia não terá lugar.

Lembrar o Holocausto não pode ser justificar a perseguição de outro povo. Nem pode ser uma frase vazia, uma promessa do Ocidente para conviver melhor com o seu passado e dormirmos melhor à noite.

Muitos escolhem chamar a este mês a silly season, mas talvez seja precipitado: não há nada de silly em descansar à beira-mar entre leituras.

Nestes dias, em França, a História saiu às ruas. Para todos aqueles que insistem em anunciar que o colonialismo é um fenómeno morto e enterrado, aqui está, mais uma vez, a prova em contrário: a colonialidade persiste, resiste e manifesta-se no racismo, violência, brutalidade policial.

Com eleições convocadas para o próximo mês e face aos retumbantes resultados da direita conservadora e da extrema-direita, urge, por um lado, fazer um balanço da governação na qual participou a esquerda e, por outro, questionar as perspetivas de unidade entre Podemos e Sumar.

Recorrendo a ilustrações e simbolismos que lembram os manuais escolares do Estado Novo e as imagens das Lições de Salazar, o Vaticano escolhe, em 2023, exaltar acriticamente Lisboa como cidade de “descobertas”, associando ao colonialismo português uma imagem benigna de multiculturalismo e de inocência.

Aproximando-nos do meio século da nossa Revolução, recuperemos para o campo das nossas lutas esse entusiasmo e otimismo (do intelecto e da vontade) pela criação de um novo mundo de felicidade e plenitude.

O nosso conhecimento é persistentemente masculino e branco, patriarcal e colonial. Epistemologicamente, continuamos a reproduzir uma mensagem óbvia: os saberes das mulheres, das pessoas racializadas e do Sul global não merecem ser colocados no mesmo patamar que os supracitados.