José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Há um equívoco que importa desarmar em nome da democracia: o de que, 37 anos depois da sua criação, não há quem não apoie o SNS.

Não há consenso possível entre as opiniões que defendem uma Justiça manietada pela austeridade e as que defendem o reforço de meios e de alcance da Justiça.

É natural uma representação tão elevada e tão exuberante da direita portuguesa no congresso do MPLA. Essa direita sabe que tem na governação angolana atual um parceiro.

Qualquer que seja a tecnicidade das escolhas, em democracia elas têm sempre uma indisfarçável marca ideológica.

Vai ou não a União Europeia manter o compromisso de financiar o governo de Erdogan em 3 mil milhões de euros para que este faça o trabalho sujo de travar ou de devolver à procedência quem busca a Europa para fugir à guerra, à perseguição ou à miséria?

Andam para aí uns alarmistas a falar de sanções da União Europeia a Portugal e que isso é um ataque contra o país.

Se houver sanções, não bastam as palavras. É imperioso um gesto concreto.

Há um espectro que paira sobre a Europa. É o espectro da política do medo.

O “primado da paz, da democracia, do estado de direito, dos direitos humanos e da justiça social”, incluído nos objetivos fundadores da CPLP, é cada vez mais uma brincadeira retórica.

A manutenção de milhares de pessoas num limbo jurídico de quase-clandestinidade que se arrasta durante anos tem-se revelado como um mecanismo de nivelamento por baixo de direitos básicos no mundo do trabalho.