José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Há mudanças e continuidades no horizonte antecipável da nova legislatura.

Há quem ache que aquilo dos empecilhos era para a esquerda. Pois eu não acho. Acho mesmo que o que o Deputado Carlos Pereira quis vincar foi a necessidade de rutura do PS com velhas alianças fundas que orientaram governações anteriores para a direita.

Dizer sem subterfúgios ao que se vem, mostrar com clareza os propósitos – eis uma qualidade rara em política, que merece ser elogiada. Dou aqui três exemplos que cumpre enaltecer.

A falta de contratação de obstetras para as maternidades de Coimbra e a “racionalização de meios” do serviço de pneumologia são rostos, em Coimbra, do que é um serviço público de importância essencial amarrado ao cumprimento de metas orçamentais impostas por Bruxelas.

A preocupação principal de quem tem em mente a segurança das pessoas tem que ser a das ameaças "normais’’ à estabilidade da vida da grande maioria. E isso é salário, é pensão, é serviços públicos. 

Há na crítica de Manuel Soares a Clara Sottomayor um preconceito: que os empenhamentos públicos pela igualdade são militâncias incompatíveis com a isenção de julgar, enquanto o legalismo cego aos valores do direito não é uma militância conservadora.

O balanço da legislatura far-se-á só quando ela terminar porque até ao lavar dos cestos é vindima. Mas os sinais de que ela pode terminar sem retirar da legislação laboral as marcas rudes nela deixadas pela violência social da troika são claros.

Tem a política que ser fria? Tem nela que prevalecer a razão instrumental?

Ao fim de três anos de trabalho em comissão especializada, o parlamento aprovou três leis sobre o reforço da transparência no exercício de cargos políticos e altos cargos públicos.

Com o primarismo que o carateriza, Bolsonaro defendeu cortes em cursos de ciências sociais e humanidades e que o dinheiro dos contribuintes deve ir para 'leitura, escrita e fazer conta'. Todo um programa.