José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Este é o tempo de toda a determinação e de todo o rigor. Diante do alastrar exponencial do vírus, não faz sentido discutir a emergência e a necessidade de se tomarem decisões de exceção.

O debate sobre a despenalização da morte assistida é um bom exemplo do enfrentamento entre um pensamento convencional e um pensamento alternativo.

Por estes dias, penso no testemunho de determinação e de diálogo do João Semedo. Sei que ele tinha toda a razão. E que esta quinta feira esse testemunho estará totalmente presente no que decidiremos.

A luta por desavessar o mundo é a luta de sempre das esquerdas. Denunciando como parte desse mundo às avessas o discurso das direitas sobre o que está às avessas.

Do que fala o título desta crónica é mesmo de Portugal e dos dois sistemas – esses sim, contrastantes – que aqui coabitam em matéria de direito a uma autorização de residência. Gold para ricos, da cor da suspeita para pobres.

O que extremou campos não foi o 25 de abril, foi a ditadura e a negação da liberdade e direitos. Os expoentes da ditadura não merecem homenagens dos democratas que branqueiem o que fizeram.

A direita tradicional e a extrema direita são ambas pró-sistema, defendem por igual o sistema económico e abjuram o Estado sempre que este põe em risco esse sistema.

Os cínicos de sempre desdenham de Greta Thunberg. Compreende-se. São cínicos e é com cinismo que disfarçam a sua estratégia de nada mexer de essencial para combater as alterações climáticas.

Que a deficiência é causa de discriminações e de negação de direitos é uma evidência. Esse é um sinal de atavismo da sociedade e de continuada desatenção dos poderes.

Muito mais que uma disputa sobre fronteiras, o ataque turco ao Curdistão Sírio e o apoio dado por americanos, russos e europeus a Erdogan é um combate contra a intensidade da democracia assumida pelo autogoverno curdo em Rojava.