José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Há um fosso inequívoco entre discurso oficial sobre o acolhimento de refugiados em Portugal e a prática do Estado e da sociedade.

O que se joga hoje na saúde e na energia é essa escolha essencial entre um Estado ao serviço dos grupos económicos e um Estado ao serviço dos cidadãos.

O combate à precariedade tem na advocacia um terreno muito importante. É mais que tempo de aplicar a lei num setor onde ela é o instrumento de trabalho de todas as horas.

Depois de meses de trabalho parlamentar sobre um pacote legislativo de combate à corrupção, PS e PSD acertaram à última hora as escapatórias que garantam a intocabilidade de alguns interesses poderosos.

A manifestação de jovens na Avenida da Liberdade contra a violência racista, a greve feminista e a greve estudantil pelo clima mostram essa nova vitalidade do movimento social, a sua criatividade propositiva e a sua determinação transformadora.

O combate contra a blindagem das hierarquias classistas, patriarcais ou racistas, a luta contra a política-ritual e o compromisso com o desbloqueamento de uma esquerda é uma caminhada grande. Não nos falta energia para a fazer.

O feminismo é uma coisa de mulheres e de homens. É por causa da democracia e dos direitos de todos/as que eu sou feminista e apoio a greve feminista de 8 de março.

O estado catatónico a que chegou o PSD é a face direita do rosto português da implosão dos partidos do centro um pouco por toda a Europa.

O avanço da extrema direita é a queda coletiva das democracias de um vigésimo andar político, social e cultural.

O estado catatónico da direita orgânica deixa espaço para que a direita inorgânica se solte e para que isso alimente estratégias, por enquanto subterrâneas, de ganho de hegemonia da extrema direita nesse campo.