João Teixeira Lopes

João Teixeira Lopes

Sociólogo, professor universitário. Doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação, coordena, desde maio de 2020, o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.

A prova de como a ideologia dominante tem feito o seu caminho encontra na questão dos direitos laborais uma preocupante evidência.

Marcelo não viu, não ouviu, não falou. Marcelo não conhece, não comenta, não esteve lá. Marcelo, falou e disse, mas de um modo sempre outro, sempre além de aquém. Marcelo não é carne, é espírito.

A vitória da extrema-direita resulta da debandada da social-democracia para o terreno securitário ao impor a mão direita do Estado (a ordem) e decepando a sua mão esquerda (a proteção social).

O terrorismo serve como pretexto para libertar a caixa de pandora dos medos e dos preconceitos.

Escrevo este texto uma hora depois do anúncio formal do apoio do Comité Central ao Governo de iniciativa PS com apoio do BE e da CDU. Este acordo é histórico e tem um significado poderoso: é possível um compromisso contra o empobrecimento e a austeridade.

Hoje como ontem, levanta-se a juventude angolana e a voz dos musseques: a libertação é possível.

É impressionante a barreira de fogo que a Direita e os setores financeiros estão a promover contra a possibilidade de uma plataforma de entendimento à esquerda.

José Soeiro e eu próprio coordenámos um dicionário sobre o Bloco de Esquerda, com prefácio de Fernando Rosas, editado pela Figueirinhas e desde ontem disponível para o público.

Além do serviço da dívida, que é brutal, a transferência de recursos entre Portugal e o centro da Europa depaupera enormemente o país.

Se a Europa recusar (como tudo indica) a reestruturação da dívida, então devemos ter a coragem de nos prepararmos técnica e politicamente para a saída do Euro.