Sim, o que aconteceu na Grécia é uma derrota para a esquerda alternativa e para a luta dos povos. Sim, o que lá se passou mostra a desigual relação de forças entre o centro do novo império europeu e as suas periferias. Sim, enoja-me ver os dirigentes gregos a utilizarem os mesmos argumentos do PASOK ou da Nova Democracia quando estavam no poder: não há alternativa; sejam responsáveis; etc. Sim, revela igualmente a impreparação, ingenuidade e debilidade política do governo grego. Sim, não tiveram a coragem que o povo revelou ao longo de anos e em particular no último referendo. Sim, é trágico ver este governo propor-se fazer as privatizações que faltam, facilitar despedimentos e cortar nas pensões.
Não, a crítica não significa dar argumentos à Direita nem trair os camaradas gregos. A crítica é a continuação da política que se quer alternativa – é o cerne da própria política. Sem ela, há seguidismo e repetição do erro. A ausência de crítica deixa a estratégia ao sabor do pior instinto conservador.
E, porém, reconhecê-lo não é um sinal de fraqueza – é uma vontade de fazer melhor, de fazer de outra maneira, de procurar alternativas que não signifiquem capitular, de aprender, de corrigir, de manter viva a vontade de lutar. Desde logo, insistindo nesta ideia forte: se a Europa recusar (como tudo indica) a reestruturação da dívida, então devemos ter a coragem de nos prepararmos técnica e politicamente para a saída do Euro. Mas também ao nível do movimento social, da pedagogia política e da comunicação com as pessoas – porque não será nada fácil.
O elefante não pode permanecer incólume na loja de porcelanas.