João Teixeira Lopes

João Teixeira Lopes

Sociólogo, professor universitário. Doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação, coordena, desde maio de 2020, o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.

Reconhecer crítica e lucidamente quer os limites dos partidos políticos, quer os limites dos movimentos sociais, poderá significar não ampliar os atavismos e bloqueios mas, pelo contrário, potenciar os novos combates.

Uma geração bloqueada só tem duas opções: ou resigna-se ou indigna-se.

Os falcões liberais querem fazer crer aos mais novos que a sua fila de espera para o mercado de trabalho se deve ao açambarcamento de lugares por parte dos mais velhos.

A Troika diz que vai tudo no bom caminho. No bom caminho para o fundo. No bom caminho para quem?

Os portugueses chegam às centenas, sem contactos, sem apoios, dormindo nas ruas e estações. Sem domicílio fixo não conseguem um visto e sem um visto não obtêm emprego. Meu Portugal nas ruas de Lausanne…

Cavaco Silva vive no e para o palácio. Por isso, do alto do seu incomensurável narcisismo, esquece a realidade do país e o sentido da sensatez.

Importa desmentir o ministro dos negócios estrangeiros francês Alain Juppé quando elogiava a branda passividade dos portugueses perante este frenesim de medidas recessivas.

As potencialidades dos novíssimos movimentos sociais são inúmeras, mas permanecem em estado de crisálida.

O liberalismo alia-se ao nacionalismo e à xenofobia para criar estigmas sociais e culturais.

É o próprio Pacheco Pereira quem o reconhece: a estruturação dos sindicatos pode mesclar-se com estes novíssimos movimentos que fazem da rede um dispositivo de comunicação e uma metáfora de organização.