Guilherme Nogueira

Guilherme Nogueira

Advogado

O medo é o “vírus” mais antigo do poder. Ele não mata de uma vez, corrói aos poucos, até que a humanidade se torne apenas retórica. A disrupção é moral: quando deixamos de ver seres humanos e passamos a ver ameaças, já não há civilização, só o eco do terror administrado.

A presença de trabalhadores imigrantes em situação irregular interessa ao capital, aos grandes empresários, a banca, que pode explorá-los sem reconhecer direitos, submetendo-os a jornadas exaustivas, salários miseráveis, condições indignas e taxas absurdamente altas para manter uma conta bancária.

O que falta são políticas reais que garantam direitos plenos aos imigrantes. A verdadeira integração não é apenas uma questão de cidadania formal, mas de uma cidadania económica e social que permita a todos viver com dignidade, sem medo de serem descartados pelo mercado.

A notícia da detenção da “guarda brasileira com passaporte português” no Reino Unido não é apenas um evento isolado, mas reflexo de questões profundas e sistémicas relacionadas com a nacionalidade, identidade e poder.

O neocolonialismo, presente na forma como a história é contada e celebrada, continua a exercer uma influência insidiosa sobre a sociedade portuguesa e suas ex-colónias. É uma tentativa de mascarar a brutalidade com um véu de heroísmo, ignorando as vozes e a dor daqueles que sofreram sob o jugo colonial.