À beira do rio Mondego, em Coimbra, há um dos maiores exemplos do turismo português: Portugal dos Pequenitos. À primeira vista, um belo parque temático, supostamente dedicado à incrível diversidade do mundo, à cultura, à história de Portugal. Mas em outro olhar, a compreensão das sementes do neocolonialismo que ele promove, regadas pelas histórias que a história silenciou, dos corpos e do roubo colonial através do qual o parque ganha vida. Portugal dos Pequenitos é uma coleção de miniaturas de edifícios simbólicos das ex-colónias portuguesas, bem como de várias outras relíquias roubadas. As miniaturas e os monumentos em si são não apenas uma homenagem à arquitetura e à cultura, mas também um testemunho perpetuamente lembrado daquilo que o colonialismo português tem saqueado e roubado das riquezas culturais, ora, é possível, em suas devidas proporções, a comparação com um museu do holocausto. Os artefatos e construções culturais haviam sido desenraizados de sua cultura nativa e trazidos a bordo com grande alarido como prémios da era de ouro, apesar de terem sido produtos da opressão, exploração e principalmente da escravização.
Não muito longe dali está a Universidade de Coimbra, que se vangloria de ser uma das mais antigas da Europa, e lá, em alguns de seus museus, existem exposições que documentam a história do colonialismo português. No entanto, muito longe de oferecer um exame crítico das atrocidades empreendidas, a maioria dessas exposições culpou os jesuítas e absolveu o Estado português. Essa é uma história digerível; nela, a pilhagem e a violência são uma teoria, não uma experiência universalmente compartilhada de conquista. Tais instituições não apenas deturpam o passado, mas impedem a possibilidade de lidar verdadeiramente e aprender com os efeitos corrosivos do colonialismo. Mais do que isso, no entanto, ao ensinar a população infantil portuguesa sobre a colonização, eles estão ajudando a perpetuar uma visão romantizada da colonização. Isso significa que os indivíduos, muitas gerações depois, seriam ensinados a acreditar que os horrores que foram cometidos eram de alguma forma inocentes ou justificados em comparação, e, como tal, eles não iriam propriamente entender o nível de dano e pilhagem que realmente ocorreu.
A perpetuação dessas narrativas através de espaços como Portugal dos Pequenitos, exposições da UC impede uma verdadeira compreensão do impacto do colonialismo. O neocolonialismo, presente na forma como a história é contada e celebrada, continua a exercer uma influência insidiosa sobre a sociedade portuguesa e suas ex-colónias, essas reverências servem para perpetuar uma visão romantizada e distorcida da era das ditas “descobertas”. É uma tentativa de mascarar a brutalidade com um véu de heroísmo, ignorando as vozes e a dor daqueles que sofreram sob o jugo colonial.
É imperativo que haja uma reavaliação crítica de como o passado colonial é apresentado. Isso inclui a devolução de artefatos culturais saqueados e a inclusão de perspectivas das nações colonizadas nas narrativas históricas. Somente através dessa reavaliação é possível lidar verdadeiramente e aprender com os efeitos corrosivos do colonialismo, promovendo uma compreensão mais autêntica e abrangente do impacto histórico.