Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Pensar que Bolsonaro é seduzível para a convivência da CPLP é ignorar como ele se move ou que o Brasil é o seu mundo. A extrema-direita brasileira só cuidará da sua penosa sobrevivência.

Com um programa com prazos curtos, verbas atrasadas de outros fundos estruturais e dinheiro a rodos, a tentação pode vir a ser inflacionar despesas, dourar programas medíocres, fazer compras de equipamentos sem nexo, mostrar serviço, satisfazer clientelas.

A vantagem que para os promotores destas máquinas justifica o uso destes mecanismos é precisamente o que as torna perigosas. Falta-lhes uma das dimensões fundamentais da vida humana, a capacidade de decidir com emoção e com experiência.

Por cada dia que passa, subirão de tom as perguntas sobre as eleições de 2023, que, aliás, foi o próprio primeiro-ministro a sugerir, procurando-se que revele se é de novo candidato ou se delega.

Na Ásia, na Europa, nas Américas, o direito de voto é um parêntesis. Mas talvez seja nos EUA que se concentram agora algumas das ameaças aos direitos democráticos que podem ter mais consequências.

Mesmo reconhecendo que o controlo das taxas de juro é insuficiente, no que Draghi, Lagarde e outras figuras de topo do BCE têm insistido, a referência à política orçamental é omissa.

A sua morte inesperada, há dias, deixa a memória de uma luta tenaz para uma esquerda socialista que possa e queira vencer os mais poderosos adversários. Nenhum passo será dado nesse rumo sem levarmos connosco o que o Michel foi, aprendeu e ensinou.

Quando foram vendidos submarinos alemães a Portugal, à Grécia e à Coreia do Sul, as evidências de corrupção incomodaram a agenda política de cada país. Agora, a maldição dos submarinos alemães volta a assombrar a Europa, com a venda de seis unidades de Tipo 214 à Turquia.

A falta de médicos não se deve ao inconveniente da deslocação para o interior ou à inércia. 709 mil das 1058 mil pessoas sem médico de família vivem na capital. Faltam porque não há.

Klaas Knot, governador do Banco da Holanda, apresentou há poucos meses um gráfico sobre vantagens do mercado único, numa conferência, para demonstrar que o seu país foi o quinto mais beneficiado, ao passo que Portugal, Espanha, Itália e Grécia foram os mais prejudicados.