É sabido que toda a política austeritária, a que os donos de Portugal estão a submeter a larga maioria dos cidadãos, não passa de uma oportunidade para legitimarem o acerto de contas com o susto que a revolução de Abril lhes provocou.
Escrever por estas alturas do ano é por tradição um convite à imaginação. No entanto, parece que em ano de crise até o catolicismo da silly season foi obrigado a fazer o seu concílio.
Aos três PEC’s, depois da oportuna interrupção, juntou-se-lhe um quinto ainda mais agressivo, com a amnésia que se exige a quem aprova este e diabolizou o anterior.
Esta estabilidade conseguiu cortar em cerca de 30% o total das bolsas de estudos, reduzir o valor médio das mesmas e diminuir a acção social indirecta (direito a residência universitária, aumento do prato social e de todos os serviços sociais).
Em 2010 todos que necessitavam do papel activo do Estado para terem um mínimo de garantia de qualidade de vida e direito ao desenvolvimento de personalidade ficaram a saber que esses tempos chegaram ao fim.