Com a pompa e circunstância de sempre, ao som da banda sonora do filme Gladiador, o Partido Socialista, pela voz de José Sócrates, deixou bem claro o que não fará nesta campanha. Discutir ideias e rumos alternativos para o país. Porquê? Porque não pode.
O seu secretário-geral bem pode gritar de forma empolgante, que travará à boa maneira romana, o avanço da direita ultraliberal, que defenderá o Estado Social e a legislação laboral.
Não passará nunca de propaganda de circunstância e de populismo de oportunidade, e acima de tudo, de chantagem política. Se existe um país deprimido e desalentado, é porque o PS nestes últimos anos, com forte suporte da tecnocracia de Bruxelas e da direita parlamentar, foi castrando direitos e garantias e privatizando a alta velocidade.
Se nestes últimos anos a sociedade foi dando vários sinais claros, através de mobilizações e diversas acções de protesto, foi porque o PS lhe virou costas, fê-lo na legislação laboral, na descapitalização do sector empresarial do estado, no Serviço Nacional de Saúde, na Escola Pública, no Ensino Superior…
No essencial, onde as decisões balançavam, entre a Esquerda e a Direita, o PS, nunca duvidou, optou sempre pela última. Se até então, socialismo já era palavra engavetada na Sede do Rato, com este governo, centro-esquerda e políticas sociais também o passaram a ser.
A menos queJosé Sócrates, convença as pessoas a não votarem nele e nos seus compagnons de route- do PSD e CDS - o PS não fará rigorosamente nada contra a direita. Quem sucumbe perante as ditas inevitabilidades e opta por governar com o FMI (com carimbo ou não), não merece outro rótulo, que o de ser a ala esquerda da direita portuguesa.
À esquerda exige-se coragem, responsabilização dos sectores culpados da crise, combate à especulação financeira, alternativa ao austeritarismo, crescimento económico, protecção social e políticas reais de emprego.
O PS por mais que se estique e se desdobre não cabe nesta enunciação. A escolha dos “socialistas” foi outra, ser o garante da estabilização do capitalismo português, não importando, quantos pregos é que se vai espetando no caixão do ideário social-democrata.
E é por isso, que o Bloco de Esquerda, continuará a ser uma desilusão, para quem pense, que faremos parte desta coligação de enterro nacional, ou que alguma vez, embarquemos na rota da pirataria da República. O nosso caminho é outro, por mais que elevem os decibéis da chantagem, de que vem aí a direita para ir ao pote, quem escancarou janelas e portas e estendeu o tapete vermelho, a essa possibilidade, foi unicamente o Partido Socialista.