A primavera de entusiasmo com a nova maioria de direita durou até ao reinício dos debates parlamentares, o programa de governo ainda não tinha sido sufragado já as baterias dos groupies do governo começou a reduzir e os slogans de campanha a perder a sua actualidade.
A feroz oposição aos PEC's por parte do CDS/PP, o chumbo ao PEC 4 por parte do PSD e a promessa de Pedro Passos Coelho no dia 1 de Abril em não aumentar os impostos, e a tão badalada política de verdade passaram para mares nunca antes navegados.
É certo que de traição à tradição a direita portuguesa não pode ser acusada, cumpre o dia das mentiras à risca e contradiz os preceitos do seu programa eleitoral logo nos primeiros dias em frente ao executivo.
Bem sabemos que o imposto extraordinário sobre o subsídio natal é um acto patriótico e de suprema necessidade para o saneamento das contas públicas, fruto dos dados da execução orçamental revelados pelo INE na quarta-feira transacta. Não podia ser de outra forma, ou não fosse o guarda-chuva da pátria o eterno abrigo da violação dos contratos eleitor-eleito, ou as diversas notícias revelarem que o corte já estava previsto e pensado ficando apenas à espera de um momento oportuno para subir ao palco.
Aos três PEC’s, depois da oportuna interrupção, juntou-se-lhe um quinto ainda mais agressivo, com a amnésia que se exige a quem aprova este e diabolizou o anterior. Numa altura em que o futuro por terras lusas é incerto, a austeridade e o incremento da pobreza e do desemprego têm futuro garantido na primeira fila da vida do país.
Por fim, bem podem Rui Machete e Paulo Portas apelar ao acordo social e fazer guerra preventiva à contestação, quem fez a transferência de Atenas para Lisboa foi quem optou pela destruição da economia.