Alice Brito

Alice Brito

Advogada, dirigente do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990

Os verdadeiros fazedores da crise não se mostram. Estão numa clandestinidade prudente, no ninho de ratos das agências, miméticos, confundem-se com as paisagens.

Pois não. A idade da pedra não acabou por falta de pedras. Mas acabou.

A idade da banca também não irá acabar por falta de bancos, mas há-de ter um fim.

O tempo não está para fadunchos. Mesmo para os que foram votados. Há muito que fazer. Voltar as costas ao destino, ou fazer-lhe um grandessíssimo manguito.

É preciso que a esquerda saiba o que o ministro, com o seu paleio de filete congelado, e a malta circundante não sabem. Não sabem que as utopias não são bolas de sabão.

Este é hoje um país ameaçado, torcido, mal amado. Teoricamente europeu, teoricamente independente.

O que o bando que está no poder se esquece é que a única coisa que é definitiva no tempo é o facto de ele ser sempre temporário.

Na guerra do Peloponeso Esparta ganhou a Atenas. Mas foi Atenas que sobreviveu até aos dias de hoje. Com democracia.

O espaço de tempo que agora vivemos constitui-se como um espaço de confluência de todos os sonhos da direita; da direita direitosa e da direita com voz de galo que andou aos bonés e finalmente pisou chão mais ou menos firme.

Já se sabe que este é um país avesso a anjos. Pelo menos ao conceito que se tem de anjos. Em princípio os anjos deviam ser bonzinhos. Não é o caso destes que insistiram na ajuda.

Vivemos num país em guerra surda. Por enquanto morna.