Alice Brito

Alice Brito

Advogada, dirigente do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990

Tudo tem limites. Quais são os nossos limites? Até onde aguentamos isto?

Estes gajos de agora devem odiar o Galileu.

Dava tanto jeito a terra paradinha, sossegada, inerte, imóvel. Se assim fosse até nem se importavam de decretar aquela coisa que se chama democracia.

O FMI, o BCE e a CE têm as mãos sedosas do Jack o Estripador. Mãos hábeis, poderosas, flexíveis. Sedosas. Deslizam nos pescoços dos países à procura do sítio exacto do estrangulamento.

Temporária, a luz das revoluções é um prodígio de clareza. É a negação do sofrimento. É a exigência da dignidade. É a tenaz da razão, a impor as evidências.

O “não – dito” faz parte do cerimonial de poder de Cavaco. Falar é para ele um martírio.

Quando a rua fala a verdade, e nela se reclama a vingança de todos os crimes cometidos e que ficaram por punir, os culpados tremem.

Cavaco tem agora falado para apelar ao silêncio. Não digam mal das agências financeiras. Silêncio. São os nossos credores. Parece mal dizer que os agiotas são agiotas. Caluda. Reverentes, subservientes, aguentem.

Esta Alemanha de Ângela Merkel está cada vez mais empanzinada de tiques perigosos.

A dupla Sócrates – Finanças entrou-nos em casa no entardecer do dia 29 de Setembro sem que a tenhamos convidado. Descarregou de uma assentada as ordens recebidas da Chanceler.

Têm o culto do poder. Cada ministério uma igreja, cada subsecretaria de estado uma capela, cada cargo uma benesse, cada função um privilégio.