Alice Brito

Alice Brito

Advogada, dirigente do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990

Há tempos foi morta a advogada que tratou de um divórcio. Dias antes, um tipo baleara a cunhada, a sogra e a filha. Microcosmos desvairados. O que é isto?

Se tu soubesses o que eu penso de ti, mesmo sendo eu um número, uma brevíssima parcela de uma estatística qualquer, uma ínfima criatura desconhecida, ficavas ofendido.

Os escrúpulos não foram ao congresso. Nem sequer se passearam por lá nos bastidores. Recusaram-se a acompanhar o Marcelo ou o outro comentador.

A direita investiu na praxe. Um investimento que lhe tem saído frutuoso. Um movimento estudantil domesticado a fazer flexões na coreografia de praxes reeditadas, sendo que a primeira edição não era já publicável.

Os contratos são para ser cumpridos. Assim se diz desde o matricial direito romano. Por isso, os contratos podem ser só de palavra. Aquilo a que dantes se chamava uma palavra de honra. Mas a honra parece que emigrou de Portugal.

Pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.

O Portugal verdadeiro é um país que está a quilómetros de distância do Portugal sonhado por estes Gaspares, Relvas, Coelhos e Cavacos.

A mais estúpida inteligência neoliberal pôs a patorra aguçada sobre a Europa e pretende vencê-la através do esgotamento, uma espécie de massacre sistemático, uma zoada permanente nos ouvidos e porrada, muita porrada nos direitos, nos salários e na vida.

Este é um ano de cobras. Um ano em que os ladrões, gatunos e larápios unem esforços para a predação.

Nunca nenhum governo tinha ousado ir tão longe. Batem-nos nos pontos mais nevrálgicos do nosso corpo já ferido e doente. Batem-nos também no espírito, desarranjam-nos a alma. Ainda não nos pesaram a fúria. Estão convencidos da sua inexistência. Quando lhe sentirem o peso até vão grunhir de sobressalto.