Levou anos a preparar, domingo após domingo. Disse o que queria e o que lhe disseram para dizer. Não foi apenas um projecto pessoal que ali se teceu. Foi obreiro de encomendas várias.
Os governos da direita são proverbialmente sítios de compadrio e traição. De infinitas solidariedades e de tiros certeiros pelas costas, que é sempre uma forma muito digna de acabar uma amizade.
Que não está cá para matemáticas. O governo é coisa séria. Não há cá esquerdices para ninguém. Um milhão de votos? Brinquem no parlamento. No governo só maiorias amigas. Era o que mais faltava.
Com um ar inocente de quem não parte um prato, sorriso aberto, deferente e reverente, a ministra, sentadinha ao lado de Schäuble, protagonizou mais uma cena macaca e vexatória para o Portugal amarfanhado do tempo que corre. Tempo penoso.
Luís XVI recebia o terceiro estado na cama. Deitadinho, refastelado, falava com quem se preparava para lhe cortar a cabeça. O ministro da Economia vai ao parlamento ou de cueca ou de bjeca no bucho.
A banca nunca teria sido o que é se alguma vez alguém a tivesse obrigado a parar. As regras bancárias são regras de gestão do caos, feitas pela própria banca para melhor se desregular.