O governo criou, à semelhança de outros países europeus, medidas de emergência para atenuar os efeitos da crise, como o layoff simplificado. Quando estas medidas excecionais caducarem o desemprego vai crescer.
Ninguém esperava que a crise se acelerasse por via de uma pandemia com efeitos na atividade económica. O encerramento de empresas, o colapso da procura e a restrição de atividades vão desencadear uma contração drástica.
O impacto da revolução tecnológica baseada na robotização e na supressão de trabalho humano tornou-se argumento para justificar o RBI (rendimento básico incondicional).
A crise institucional está a dar lugar, nalguns países, a regimes bonapartistas que, no passado, foram a antecâmara dos fascistas, e que hoje podem abrir a porta a outras formas de autoritarismo.
O combate à extrema-direita só pode fazer-se anulando as condições que a tornaram atraente. Toda a esquerda deverá ser desafiada para este programa de emergência.
Qual a melhor forma de explorar as contradições de um PS que, apesar de se manter confortável nas sondagens, tem no horizonte sinais de crise? Eis a grande motivação da direita.
Aqui radicam as verdadeiras divergências no PS: retomar o caminho das reformas ao “centro” em colaboração com a direita, ou manter alguma distância desse caminho em diálogo com a esquerda?
Dois anos e meio de “geringonça” e na reta de lançamento para o ciclo eleitoral de 2019, os equilíbrios constituídos dão mostras de alguma erosão e deixam margem para uma certa imprevisibilidade.
A greve da Autoeuropa e o debate que se lhe seguiu levantaram várias questões importantes. Uma delas relaciona-se com o papel das Comissões de Trabalhadores (CTs).