Precisamos de uma proposta equilibrada, que assegure a transição para um novo paradigma energético com as renováveis, mas que evite a apropriação sistemática de rendas por grupos privilegiados da população. Por Adelino Fortunato
A cada dia que passa a União Europeia perde apoiantes, como se viu com o Brexit, e em vez de corrigir os erros, ela revela pavor perante a legitimação popular das suas decisões.
A pressão deflacionista mostra as contradições da União Monetária no atual momento, porque bloqueia o crescimento e a criação de emprego, provoca recessões e crises de consequências devastadoras.
O paradigma da privatização dos sistemas de pensões (que o PSD, o CDS e o próprio PS defenderam na última campanha eleitoral) sofreu um rude golpe na sua credibilidade e viabilidade. No entanto, isto não significa que esteja morto.
Marcelo Rebelo de Sousa partiu para a campanha presidencial com uma grande vantagem. Mas ele também sabe que vivemos momentos de grande volatilidade e que a sua posição é mais frágil do que parece à primeira vista.
Alguns observadores encontraram grandes diferenças entre o exercício do governo e o dos 12 economistas do PS quanto às orientações de política económica para a próxima legislatura. Na realidade as diferenças existem, mas não são tão significativas como parecem à primeira vista.
Vários quadrantes têm procurado encontrar razões que expliquem a natureza limitada da crise do sistema político português quando comparada com o caso grego ou espanhol. Essa crise em Portugal é uma realidade, só que ela para já exprime-se de uma outra forma.
O PS só poderia aspirar a ganhar eleições com maioria absoluta se estivesse disponível para mobilizar a população portuguesa em torno de um projeto de negação consequente da austeridade, correndo todos os riscos que daí pudessem decorrer.