José Soeiro

José Soeiro

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo.

Otelo foi, nesse período histórico imediatamente a seguir à Revolução, um rosto inapagável do susto histórico que desde então, e nos dias de hoje com força redobrada, as velhas elites ainda tentam exorcizar.

A origem do Pegasus, que foi objeto de uma grande investigação do jornal britânico The Guardian, está em Israel, a “start-up nation” habituada a aceitar todos os dispositivos securitários em nome do “combate ao terrorismo”.

Mais eficaz do que, por exemplo, a panóplia de controversas medidas anunciadas para restaurantes e cafés, seria investir a sério, e de imediato, na identificação e no isolamento das cadeias de contágio.

Quase 300 trabalhadores na Altice já começaram a receber as suas cartas, o Santander quer suprimir cerca de 700 postos de trabalho, cerca de 1000 trabalhadores estão ameaçados no BCP, para dar apenas alguns exemplos. Se não for travada, esta vaga ameaça tornar-se um “novo normal”.

O direito à identidade e expressão de género, bem como todos os direitos LGBTI+, são uma parte constitutiva dos direitos humanos. Este acórdão não colocará em suspenso o exercício de nenhum desses direitos nem paralisa a responsabilidade do Estado e da escola em protegê-los

O pontapé de saída para uma lei que enquadre o trabalho subordinado nas plataformas digitais está dado, com um projeto em cima da mesa desde o início da semana. E agora, o que vai o Governo fazer? O PS vai ceder de novo ao lóbi das plataformas e à chantagem dos patrões na concertação social?

O Código do Trabalho que temos é um problema e a pandemia veio comprová-lo de forma reforçada. O apego de Centeno e de Costa à herança da direita é insustentável.

Agora que passou um ano sobre o início dos projetos-piloto e se aproxima, portanto, o momento de generalizar a todo o país o acesso ao apoio aos cuidadores e cuidadoras informais, é o momento para se fazerem balanços e exigências. E para se mudar o que está mal.

O que diz a moção de António Costa [sobre legislação laboral?]? Sobre herança da troika, nada. Sobre a estrutura legal das modalidades precárias de emprego nada. Sobre a caducidade da contratação coletiva, nenhuma proposta. Sobre as plataformas, uma formulação que não esclarece o que se pretende.

Os silêncios políticos neste caso não são sinal de elevação ou de maturidade democrática. São, pelo contrário, o reflexo de uma falta de exigência e de um empobrecimento cívico que o Porto não merece.