José Soeiro

José Soeiro

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo.

Quem se bateu pela geringonça e a construiu com entusiasmo entre 2015 e 2019 (incluo-me nesses), gostaria que fosse possível, na salvaguarda da sua pluralidade e diferenças estratégicas, o campo político que a fez ter hoje um programa comum para mudanças no país.

Subscrevemos o que dizia o ex-Ministro em 2019. O fim dos casos de dupla penalização que ainda persistem é o que propusemos agora.

Há uma grande confusão sobre este tema e o “nome da coisa” não ajuda. O que é então, o “fator de sustentabilidade” que existe? Acabar com ele é razoável?

José Soeiro apresentou o projeto de lei do Bloco para repor o valor do trabalho suplementar e o descanso compensatório para os valores pré-troika, criticando o PS por se unir à direita para manter os cortes.

Nas obsessões bolsonaristas, há fantasmas omnipresentes e Paulo Freire é um espectro temido. Ao mesmo tempo, os seus livros continuam a ser reeditados, os seus métodos experimentados e o pedagogo continua a inspirar crianças que querem mais tempo para brincar.

O Parlamento dos Açores aprovou por unanimidade uma proposta do Bloco para que as pensões de desgaste rápido que ainda levaram cortes sejam todas recalculadas à luz das novas regras. Merecerá tal regra o mesmo consenso no continente? Ou haverá partidos a mudar de posição?

Apesar do estado de negação de algumas declarações públicas de dirigentes do PS, há um indicador positivo. O PS aceitou que o teletrabalho não pode ficar dependente de regras facultativas e conseguiu-se que deitasse ao lixo algumas ideias perigosas que existiam na proposta apresentada em abril.

Quis também o destino que a despedida de Jorge Sampaio coincidisse com os 20 anos do 11 de setembro de 2001, esse acontecimento catalisador, momento de transição que inaugurou uma outra era, talvez o início do século.

O que o Governo tem feito nestes últimos meses no campo do trabalho é muito jogo político e um discurso que procura vender gato por lebre. As declarações do Primeiro-Ministro não batem certo com as suas propostas e parecem até destinadas a ocultá-las.

Mais do que pregar a justiça ou esperar por ela, Júlio Lancelotti decidiu exercê-la, enfrentando 'a tragédia dos esquecidos'.