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Televisão angolana mostra alegados atos de corrupção de Manuel Vicente

Até agora protegido por João Lourenço, Manuel Vicente viu a TPA divulgar reportagens sobre alegados atos de corrupção. Kopelipa e Dino proibidos de sair do país devido a uma investigação.
Manuel Vicente
Foto de Cia Pak - Nações Unidas | Flickr

A televisão pública angolana, a TPA, está a divulgar reportagens sobre alegados atos de corrupção de grandes figuras do regime, segundo o Jornal de Negócios. Numa das reportagens está envolvido o ex-vicepresidente de Angola, Manuel Vicente.

O ex-vicepresidente de Angola contava até agora com a proteção do atual presidente João Lourenço, bem patente no conflito diplomático com Portugal devido ao processo judicial que estava em andamento contra Manuel Vicente. Em contrapartida, o também ex-presidente da Sonangol terá ajudado o atual chefe de Estado a identificar os “podres” do regime.

A exposição pública de Manuel Vicente depois destas reportagens, com o nome “O Banquete”, é um sinal de que algo mudou no regime angolano. O antigo governante era apontado, nos bastidores, como um dos responsáveis pelo desvio de fundos públicos e representava um duro golpe em João Lourenço e na sua luta contra a corrupção.

As reportagens não têm sido nada consensuais. Luísa Rogério, presidente da Comissão de Carteira de jornalistas angolanos, refere que “todas as pessoas citadas nas reportagens passadas pela TPA deviam ser ouvidas sobretudo no jornalismo investigativo, para dar maior credibilidade, e, por outro lado, não devem nunca os jornalistas sobrepor-se aos tribunais”.

As denúncias feitas pela TPA têm como mentor o general Fernando Miala, chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, que em 2007 foi condenado a 4 anos de prisão por uma alegada tentativa de golpe de Estado. Em 2022 termina a imunidade de Manuel Vicente e de José Eduardo dos Santos, antigo Presidente da República de Angola.

Duas figuras muito próximos de José Eduardo dos Santos, os generais Leopoldino Fragoso do Nascimento e Hélder Vieira Dias (Kopelipa) foram proibidos de sair do país pela Procuradoria-Geral do República (PGR) devido a uma investigação relativa a desvio de fundos públicos.

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