Entrevistado pela Antena 1, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda disse não ver razões para pensar que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato à liderança do Partido Socialista esteja mais à esquerda que o atual líder. “Hoje sabe-se melhor o que António José Seguro defende, do que se sabe sobre o que pensa e o que defenderá no futuro António Costa. Mas de tudo aquilo que eu conheço da vida política, que é rica, de António Costa, eu direi que não há nenhuma razão para pensar que António Costa está mais à esquerda que António José Seguro”, disse. E acrescentou: “Julgo que era preciso que o futuro líder do Partido Socialista, seja ele quem for, tivesse uma posição clara de rejeição das políticas centristas que o PS nos últimos anos tem dado apoio”. Semedo recordou que os sociais-democratas alemães governam com a sra. Merkel “num conjunto de laços, de teias de cumplicidade” que tornam muito difícil admitir que o Partido Socialista em Portugal tenha uma política diferente.
“Não imagino uma alternativa de esquerda sem o PCP”
Sobre a última reunião da Mesa Nacional do Bloco e as polémicas travadas nela, João Semedo esclareceu que não foi afastada nenhuma possibilidade de diálogo seja com quem for. O coordenador considerou que a proposta apresentada por Ana Drago é de “uma pequena convergência, porque ninguém me convence que os problemas da esquerda se podem resolver com uma convergência entre o Bloco de Esquerda, o Partido dos Animais e o partido Livre. Acho isso demasiado curto”. Para João Semedo, é preciso ter uma outra ambição política. “Eu não imagino uma alternativa de esquerda em Portugal sem o Bloco de Esquerda; mas também não imagino uma alternativa de esquerda sem o PCP”.
“Eu não imagino uma alternativa de esquerda em Portugal sem o Bloco de Esquerda; mas também não imagino uma alternativa de esquerda sem o PCP”.
O coordenador defendeu ainda que as convergências se devem fazer com alguma discrição. “O diálogo deve ser aberto, transparente, mas deve ser cuidadoso, para que ninguém se sinta incomodado com ele. Para que ninguém julgue que há alguém a querer tirar partido desse diálogo mais do que qualquer outro”.
Sobre a discussão acerca da data da convenção do Bloco de Esquerda, Semedo criticou que “se queira fazer uma intensa polémica sobre a sua realização em novembro ou em outubro, um mês antes ou um mês depois”, argumentando ainda que uma convenção demora dois, três meses a preparar e que não pode ficar entrecortada pelos meses de verão.
“Nós decidimos abrir uma discussão que vai culminar nessa convenção. Eu julgo que nós temos pressa, claro que temos, mas não devemos ser apressados, porque a pressa é má conselheira”.
Para o coordenador nacional, os bloquistas têm de olhar muito para a forma como o partido se relaciona com a sociedade. “Que trabalho fazemos com os desempregados, com os jovens, com as pessoas de terceira idade, com um conjunto de áreas sociais junto das quais o Bloco, talvez por ter privilegiado excessivamente a sua intervenção parlamentar, tenha reduzido a sua intervenção, que caracterizou o Bloco durante tantos anos: uma ação política muito mais direta, mais próxima das pessoas”.