Semedo acusa: “Governo ficciona um país cor-de-rosa”

01 de março 2014 - 18:28

O coordenador do Bloco denunciou o “fosso” cada vez maior entre a realidade e o discurso cor-de-rosa do governo e frisa que a realidade é que “ficámos a saber pelos próprios [troika] que quando saírem deixam a austeridade, deixam aprovado o tratado orçamental, que é como uma lei-quadro de austeridade permanente”. Semedo disse também que o Bloco pondera recorrer hierarquicamente do arquivamento da queixa contra Machete.

PARTILHAR
João Semedo criticou também a decisão da procuradoria-geral da República de arquivar a queixa-crime contra Rui Machete, apresentada pelo Bloco de Esquerda por ele ter mentido ao parlamento, relativamente ao caso BPN e admitiu que o partido pondera recorrer hierarquicamente do arquivamento da queixa-crime

Na abertura de um ciclo de debates sobre a universidade promovido pelo Bloco de Esquerda, João Semedo pronunciou-se sobre a 11ª avaliação da Troika, afirmando: foi “anunciada ontem [sexta-feira] como concluída, mas ficámos a saber que é inacabada”.

Segundo a agência Lusa, o coordenador do Bloco de Esquerda denunciou:

“O primeiro-ministro anunciou que o pior já tinha passado e o vice-primeiro-ministro anunciou que 2014 ia ser melhor do que aquilo que o Governo tinha previsto. Isto é tudo uma fantasia, porque se assim fosse não seria necessário, como já sabemos que vai acontecer, novas medidas de austeridade, se assim fosse, aquilo que o Governo tinha prometido como transitório – o corte nos salários e o corte nas pensões – não iria ser tornado definitivo como já sabemos que vai acontecer”.

João Semedo disse ainda “a troika, os credores, já anunciaram isso mesmo ao país”, que vai haver mais cortes, mais austeridade e que “aquilo que era provisório vai ficar definitivo”: a troika sai mas a sua política fica. O deputado lamentou também que “o Governo todos os dias invente boas notícias”, quando “já sabemos que as más notícias, as notícias verdadeiras, virão depois das eleições europeias em maio”.

Semedo critica decisão da procuradoria de arquivar queixa-crime contra Machete

À margem do debate, João Semedo criticou a decisão da Procuradoria-Geral da República de arquivar a queixa-crime contra Rui Machete, apresentada pelo Bloco de Esquerda por ele ter mentido ao parlamento, relativamente ao caso BPN. Semedo admitiu à comunicação social que o partido pondera recorrer hierarquicamente do arquivamento da queixa-crime.

Segundo a Lusa, João Semedo diz que o despacho de arquivamento tem um aspeto importante, pois “reconhece que efetivamente o ministro Rui Machete, quando foi inquirido na comissão de inquérito ao caso BPN, mentiu, faltou à verdade”.

“No entanto, como se a justiça pudesse ser uma pescadinha de rabo na boca, o despacho absolve Rui Machete, absolve o infrator, invocando a própria infração, ou seja, aquilo que se espera da justiça é que as infrações, neste caso uma mentira, penalizem, condenem os infratores, mas neste caso a infração foi o pretexto utilizado pelo Ministério Público para absolver Rui Machete”, criticou o coordenador do Bloco de Esquerda.

A procuradoria considera que não se sabe se as declarações omitidas pelo atual ministro seriam relevantes para o apuramento da verdade. Para João Semedo esta é uma situação “bizarra”, em que “faltar à verdade beneficiou o infrator”.