“Sem emprego, sem trabalho, dificilmente a natalidade poderá crescer neste país"

17 de julho 2014 - 20:20

O coordenador nacional do Bloco defendeu esta quinta feira que as medidas presentes no relatório encomendado pelo PSD sobre a natalidade "só poderão ter efeito caso assentem sobre o crescimento do emprego". Num dia dedicado à saúde nos distritos de Castelo Branco e Guarda, João Semedo alertou para a dupla discriminação a que são condenados os hospitais do interior.

PARTILHAR

Segundo o dirigente bloquista, as medidas propostas pelo executivo PSD/CDS-PP para o incentivo à natalidade não poderão, "nenhuma delas, nem todas no seu conjunto", resolver o "gravíssimo problema" da redução de nascimentos, na medida em que as mesmas "só poderão ter efeito caso assentem sobre o crescimento do emprego".

"Os apoios à natalidade serão muito importantes, mas o apoio mais importante às famílias para que os jovens casais possam ter os seus filhos é o de poderem ter emprego, trabalho. Trabalho com direitos. Emprego com direitos. Sem emprego, sem trabalho, dificilmente a natalidade poderá crescer neste país", frisou.

Durante o dia, João Semedo visitou o Hospital de Castelo Branco, a Faculdade de Medicina da Covilhã, o Hospital da Covilhã e a Unidade Local de Saúde da Guarda, tendo expressado a sua preocupação face às consequências que os cortes orçamentais têm estado a ter nestas unidades.

"Verificamos que estes três hospitais do interior são vítimas de um duplo prejuízo: a discriminação de todos os serviços públicos do interior, à qual se acrescenta uma segunda discriminação que são os cortes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Estes cortes têm prejudicado o progresso que se vinha verificando nestes três hospitais e portanto a primeira palavra é de contestação", frisou.

O coordenador nacional do Bloco defendeu que, "por um lado, é necessário travar esses cortes nos hospitais e, por outro, deve impedir-se que a portaria que o Governo aprovou desqualifique os hospitais do interior, retirando-lhes valências", apontou.

João Semedo manifestou ainda a sua preocupação com a manutenção das maternidades e serviços de pediatria, que classificou como as "especialidades rainhas do SNS" e "essenciais" para qualquer unidade.

"Levanto a minha voz para alertar e protestar contra qualquer tentativa de o Governo fechar qualquer uma dessas valências", avançou.

O dirigente bloquista alertou para as consequências que um "eventual corte de valências nos hospitais da região" terá para a Faculdade de Medicina da Beira Interior, "a qual tem um sistema de ensino muito moderno".

"Quando se fala em defender estes hospitais e estas valências fala-se também e por uma segunda razão em preservar o ensino das ciências da saúde na Universidade da Beira Interior", sublinhou.

João Semedo referiu-se ainda ao facto de não estarem a ser contratados profissionais para os hospitais e garantiu que o argumento da falta de especialistas não pode ser aceite porque não se verifica no caso dos enfermeiros.

No que respeita aos médicos e às medidas especiais para fixar esses profissionais no interior, criticou o facto de "até hoje nenhum ministro, nenhum ministério e nenhum governo" terem tido "coragem de o fazer".