Desde o início da invasão da Ucrânia pelo exército russo, as notícias sobre a atualidade internacional têm apontado o risco de subida de preços em diversos setores, desde os combustíveis à eletricidade e do gás, além dos bens alimentares.
As sanções económicas aprovadas pelos países ocidentais – com os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Canadá à cabeça – tiveram um enorme impacto na economia russa, mas também nas economias que as estão a aplicar. O preço do barril de petróleo disparou para valores recorde nos mercados internacionais, à semelhança do que aconteceu com o gás. Em alguns locais, já se registam também aumentos dos preços de vários alimentos. Embora já tivéssemos assistido a alguma inflação no final do ano passado, havia a expectativa de que esta fosse temporária. No entanto, a guerra traz de volta o risco de aumentos dos preços.
De que forma é que estas mudanças se vão refletir no consumo das famílias portuguesas? É a essa questão que uma notícia do Jornal ECO procura dar resposta. Em relação à variação do preço do petróleo, pode-se esperar um impacto no preço da gasolina e do gasóleo. É preciso ter em conta que o preço destes bens já tinha aumentado significativamente no último ano, bem como os lucros das grandes empresas do setor.
No caso da eletricidade, o facto de o preço praticado no mercado regulado ser fixado pela ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) pode adiar o impacto das variações internacionais. No entanto, o preço pode aumentar se houver “desalinhamentos excessivos com o mercado livre”, como se pode ler num comunicado do regulador.
Em relação aos bens alimentares, é preciso ter em conta que a Rússia e a Ucrânia são dois dos principais exportadores de cereais à escala mundial, tendo sido responsáveis por mais de um quarto das exportações mundiais de trigo em 2020. É bastante difícil pensar que a guerra não causará disrupções nas cadeias de distribuição destes produtos. Além disso, a seca severa que Portugal atravessa está a afetar também setores responsáveis pela produção de sementes ou adubos.
O impacto destas variações de preços dependerá, acima de tudo, das medidas que o Governo aplicar de forma a compensar os agregados familiares (sobretudo os de menor rendimento). As próximas semanas deverão dar uma ideia sobre os planos do Governo e da União Europeia para fazer face à inflação.