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Programa do Bloco é o mais concreto para a neutralidade carbónica

Analise quantitativa aos programas dos partidos quanto ao objetivo da neutralidade carbónica concluiu que o Bloco é quem apresenta mais medidas concretas e calendarizadas para reduzir as emissões de CO2. Dados estão disponíveis em co2dospartidos.pt.
Mapa de concentração de CO2 na troposfera, captado pelo detetor AIRS da sonda Aqua da NASA, julho de 2003. Imagem: AIRS/Flickr.
Mapa de concentração de CO2 na troposfera, captado pelo detetor AIRS da sonda Aqua da NASA, julho de 2003. Imagem: AIRS/Flickr.

O Bloco de Esquerda tem o programa mais concreto para a redução das emissões de CO2 segundo uma análise do sítio CO2 dos Partidos. O PS e o PAN têm programas com um maior número de propostas, mas mais vagas e indefinidas. O sítio fez uma análise quantitativa dos programas dos partidos quanto às medidas para reduzir as emissões de dióxido de carbono, que intitulou de Olimpíadas do Carbono.

O Roteiro da Neutralidade Carbónica (RNC) foi a referência para a análise. Trata-se de um documento elaborado em Portugal por um conjunto de especialistas em 2018, e adotado pelo governo, que aponta a neutralidade carbónica da economia portuguesa como objetivo para 2050. Ou seja, nesse ano a economia portuguesa deve ter emissões zero de CO2 em termos líquidos, o que significa reduzir enormemente as emissões atuais e contrabalançar as que ainda restem com medidas de absorção de CO2 (por exemplo, através de florestação). O RNC estabelece 96 metas para esse objetivo.

Em termos de quantidade de metas e medidas, os partidos mais prolixos são o PS e o PAN. Das 96 metas do RNC, o programa do PS é o que toca em mais dela (40), seguido do PAN (40), Bloco (30), CDS (21), PSD e CDU (ambos 19). Em termos de medidas alinhadas com o RNC, pois a uma meta do RNC podem corresponder várias medidas num programa, o PAN é o mais prolixo: o seu programa tem 142 medidas que tocam em 39 metas do RNC. Seguem-se o PS (92 medidas para 40 metas), Bloco (79 para 30), CDU (43 para 19), PSD (38 para 19) e CDS (36 para 21).

Mas acumular um grande número de medidas num programa político pode não passar um manifestação ilusória de intenções, se faltarem planos e calendário concretos para as aplicar. A análise considera como medidas concretas por exemplo o "encerramento de centrais a carvão até 2023", ou o "aumento da produção de energia solar em 20%". Já um "maior investimento em transportes públicos a eletricidade" é exemplo de uma medida vaga.

Imagem: co2dospartidos.pt.

Imagem: co2dospartidos.pt

No capítulo das medidas concretas, com objetivos quantificados e calendário definido, o programa do Bloco passa a primeiro por larga distância: 51% das 79 medidas que apresenta são concretas e calendarizadas. Em segundo lugar passa a estar o programa da CDU, com 14% de medidas concretas nas 43 que apresenta. Seguem-se o PS e o PAN, cujo grande número de propostas gerais não corresponde proporcionalmente a medidas concretas: 9% das 92 medidas do PS satisfazem este critério, e 8% das 142 medidas do PAN. O PSD fica em penúltimo, com 8% de 38 medidas. Em último lugar fica o CDS, cujo programa não concretiza nem calendariza nenhuma das 36 medidas que apresenta.

A análise divide-se em nove áreas mais específicas que podem ser consultadas em detalhe no sítio: energia, mobilidade, serviços, agricultura, florestas, residencial, indústria e resíduos.

Termos relacionados Legislativas 2019, Política
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