Privatização da EGF é nova “renda aos privados”

10 de março 2014 - 16:19

Catarina Martins, em visita à Valorsul em Loures, denunciou que a privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF) é mais uma entrega de um monopólio rentável do Estado aos privados. A coordenadora bloquista avisou ainda que esta decisão do executivo de Passos Coelho vai fazer com que as populações comecem a pagar mais pelo tratamento de resíduos.

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“O Governo ao decidir privatizar a EGF decidiu privatizar empresas como a Valorsul que fazem um bom trabalho, estão equilibradas financeiramente e que distribuem dividendos todos os anos", apontou Catarina Martins. Foto de Hugo Delgado/LUSA

O Bloco de Esquerda instou os presidentes dos 19 municípios servidos pela Valorsul a apoiarem a greve de três dias que os trabalhadores vão realizar em protesto contra a privatização daquela empresa de resíduos.

Os trabalhadores da Valorsul vão realizar uma greve entre as 00:00 do dia 17 de março e as 24:00 do dia 20.

Em causa está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral do Fomento (EGF), uma ‘sub-holding’ do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, da qual faz parte a Valorsul, sediada em Loures.

A privatização dos capitais públicos da EGF foi aprovada no final do mês passado pelo Conselho de Ministros.

“Nós achamos que é importante neste momento que as 19 autarquias que se opõem a esta privatização sejam consequentes e apoiem a greve dos trabalhadores”, afirmou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

A deputada bloquista falava à agência Lusa ao início da tarde, após uma visita às instalações da Valorsul, com elementos da administração, e de uma, posterior, reunião com a comissão sindical.

“O Governo ao decidir privatizar a EGF decidiu privatizar empresas como a Valorsul que fazem um bom trabalho, estão equilibradas financeiramente, que distribuem dividendos todos os anos a entidades públicas e ainda por cima uma das empresas que cobra das tarifas mais baixas pelo tratamento de resíduos”, apontou.

No entender de Catarina Martins, a possível privatização da Valorsul irá prejudicar não só a situação dos trabalhadores como da população que é servida pela empresa.

“Ao decidir privatizar esta empresa o Governo está a decidir que as populações vão pagar mais pelo serviço, que os trabalhadores serão ainda mais precários e que vão entregar uma renda a privados para sempre, uma vez que eles ficarão com o monopólio de um serviço público”, alertou.

No início do mês de fevereiro os 19 municípios acionistas da empresa de resíduos Valorsul tinham manifestado a sua oposição à privatização dos capitais da EGF e anunciado que iam pedir ao Presidente da República, Cavaco Silva, que “trave” o processo.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

Além de Loures, a Valorsul serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior. Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.