No momento da suposta “saída limpa”, a chantagem adensa-se

18 de maio 2014 - 15:57

Ao mesmo tempo que PSD e CDS-PP celebram a tão propalada saída da troika e os resultados obtidos nestes três últimos anos, que se traduzem no estrangulamento da economia do país, no aumento da pobreza e do desemprego, várias são as vozes que deixam a ameaça no ar: a austeridade é para ficar!

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Foto de Paulete Matos.

Logo no início de sábado, quando o relógio de Paulo Portas já marcava as zero horas, o Presidente da República afirmava que este era "um dia marcante" para o país, alertando, contudo, que a saída da troika "não significa que tenham terminado as exigências de rigor".

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas também deixaram um aviso no ar.

O primeiro ministro defendeu que “não há nenhuma razão para que [Portugal] não seja bem sucedido no futuro", isto se o país "mantiver a responsabilidade orçamental”.

Já Paulo Portas disse que é preciso ter a "moderação e a sensatez de explicar aos portugueses que obviamente não muda tudo de um dia para o outro instantaneamente" .

As declarações do Vice-Presidente da Comissão Europeia (CE) sobre Portugal acompanham a chantagem a que recorrem os governantes portugueses. Segundo Siim Kallas, “se por um lado este é um momento de satisfação, por outro não podemos ser complacentes”.

“Para alcançar uma recuperação mais robusta e para diminuir os níveis de desemprego que continuam inaceitáveis, é essencial que, nos próximos meses e anos, se mantenha um compromisso sério com as políticas de rigor orçamental e com as reformas necessárias ao crescimento”, frisou o representante da CE.

O diretor-executivo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, por seu lado, defendeu que a 'saída limpa' de Portugal mostra claramente que a "abordagem de prestar assistência financeira com condicionalidade, de reformas de política económica" funciona,  advertindo, todavia, que "não acabou, não há lugar para complacência, e o processo de reformas deve continuar".

Subjugado às normas previstas no Tratado Orçamental - ratificado por Portugal em 2012 com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP e PS, que veio a impor aos Estados Membros um limite ao défice estrutural de 0,5% e de 60% do PIB à dívida pública - e às regras do “Two Pack” - que introduz um novo sistema de vigilância pós-programa de assistência financeira, implicando que até que tenham pago um mínimo de 75% da ajuda recebida, os Estados-Membros permanecerão sujeitos a vigilância reforçada - Portugal continuará a estar sujeito a um regime de austeridade permanente.

Segundo a cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias, Marisa Matias, “para salvar o país, é necessário desobedecer à Europa”. “Só rompendo com toda a austeridade, quer a que é imposta pelo Governo quer com a austeridade 'fofinha' do PS, se promove um caminho para o crescimento”, defende a dirigente bloquista, sublinhando que, para isso, é imperativo rejeitar o Tratado Orçamental e reestruturar a dívida.