A "melhor forma de consolidar as contas públicas é devolver salários às pessoas"

27 de junho 2014 - 14:45

Reagindo aos dados divulgados pelo INE esta sexta feira, que apontam que o défice atingiu 6% entre janeiro e março de 2014, a deputada do Bloco Mariana Mortágua frisou que a consolidação orçamental "está longe" das metas fixadas pelo Governo, apesar das medidas de austeridade impostas aos portugueses, no valor de 5800 milhões de euros.

PARTILHAR
Foto de Paulete Matos.

"O que sabemos é que no primeiro trimestre deste ano, quando comparado com o ano passado, o défice está cerca 1200 milhões de euros mais baixo, ainda longe da meta para o final do ano", afirmou a deputada bloquista, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.

"O défice ajusta 1.200, o que significa 4500 milhões de ajustamento atirados para o lixo"

Mariana Mortágua frisou que, apesar das medidas de austeridade impostas aos cidadãos, que se traduziram em cortes salariais e no agravamento fiscal, terem atingido os 5800 milhões de euros, "o défice ajusta 1.200", o que significa "4500 milhões de ajustamento atirados para o lixo".

"Quando se retira salários às pessoas, quando se aumenta os impostos, está-se a prejudicar a atividade económica"

"São atirados ao lixo porque quando se retira salários às pessoas, quando se aumenta os impostos, está-se a prejudicar a atividade económica", referiu a dirigente do Bloco, assinalando que "o rendimento disponível das famílias não era tão baixo desde 2007".

Segundo Mariana Mortágua, a "melhor forma de consolidar as contas públicas é devolver salários às pessoas", porque "mais salário significa poder de compra" e mais sustentabilidade para as empresas que "podem vender mais, empregar mais e com isso pagar mais impostos e contribuições sociais".

De acordo com as Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional, divulgadas esta sexta feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o défice das Administrações Públicas foi de 2.389,4 milhões de euros entre janeiro e março de 2014, o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto.

O défice registado no primeiro trimestre do ano é superior à estimativa avançada pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) - 5,6% - e está bastante distante da meta acordada com a troika para este ano, de 4%.

A capacidade de financiamento da economia portuguesa caiu para os 1,7% do PIB nos primeiros três meses do ano, menos 0,2 pontos percentuais do que no trimestre anterior, o que se deve essencialmente à redução do saldo externo de bens e serviços, mediante o aumento de 1,5% das importações, face a um aumento de apenas 0,6% das exportações.

Registou-se ainda uma queda da despesa corrente, devida a uma "redução significativa das despesas com pessoal", que passaram de 17.788,6 milhões de euros no último trimestre de 2013 para os 17.443,7 milhões de euros entre janeiro e março de 2014.

Destaca-se igualmente o aumento das receitas de impostos, tendo os impostos sobre o rendimento e o património aumentado dos 19.522,2 milhões de euros no último trimestre de 2013 para os 19.775,4 milhões de euros no primeiro trimestre de 2014.

No que respeita às contribuições sociais, verificou-se uma "ligeira redução", tendo caído para os 20.097,6 milhões de euros entre janeiro e março deste ano, depois de terem atingido os 20.139,6 milhões de euros no trimestre anterior.