À saída do encontro com a associação Alzheimer Portugal, e em declarações aos jornalistas, Marisa Matias referiu a importância que associações como esta representam no apoio aos doentes e famílias afectadas por esta doença.
Tratando-se de uma doença que requer cuidados específicos e continuados, as famílias representam um papel importante no quotidiano destes doentes. Estima-se que existam, actualmente, em Portugal, 153 mil pessoas afectadas com a doença de Alzheimer. Cada uma destas pessoas, como lembrou a candidata do Bloco de Esquerda às eleições europeias, representa também uma família que igualmente necessita de apoio, pois são eles os cuidadores informais que, em especial nos estados avançados da doença, garantem um acompanhamento 24 horas por dia.
Portugal, ao contrário do que se passa noutros países europeus, não tem ainda um plano nacional de Alzheimer dificultando assim não só a determinação certa do universo de pessoas afectadas, como também dos meios necessários para um eficaz combate. Ainda assim, é sabido que existem apenas 3 centros especializados capazes de eficazmente oferecer tratamento e cuidados, e cada um deles tem capacidade para apenas 15 pessoas. Ou seja, estamos a falar de um universo de 45 pessoas para os estimados 153 mil, significando isso que os restantes 152.955 ficam inteiramente dependentes das suas famílias ou de lares que não estão preparados para oferecer os cuidados específicos de que estas pessoas necessitam. A definição do plano nacional serve também para isso, para que se responda às necessidades especiais destas pessoas e suas famílias, reforçando a importância de termos um estado-social forte dotado de serviços públicos como garantia de um igual acesso aos cuidados de saúde.
Enquanto eurodeputada, Marisa Matias foi a relatora principal do Relatório “Iniciativa europeia em matéria de doença de Alzheimer e outras formas de demência", aprovado em finais de 2010. O relatório pretendeu não só fazer um diagnóstico da situação na Europa no que diz respeito à doença de Alzheimer mas também concretizar propostas de acção, entre elas a definição e elaboração de planos nacionais. O conhecimento localizado da situação em cada estado-membro permite uma melhor e mais eficaz intervenção. Mas também a necessidade de inter-ajuda e cooperação entre estados-membro no combate às desigualdades de acesso quer a meios de diagnóstico, quer a meios de tratamento e acompanhamento. Estimava-se, aquando da aprovação do relatório que no espaço da União Europeia existissem cerca de 10 milhões de pessoas afectadas com doenças demenciais, sendo 7 milhões com Alzheimer.
Ainda no âmbito da discussão, e elaboração, do relatório do Parlamento Europeu, a delegação do Bloco de Esquerda decidiu ser importante chamar a esta casa actores que no terreno contactam com estes doentes. A ideia foi não só a de perceber os seus pontos de vista nas mais variadas áreas - investigação, cuidados médicos, enquanto membros de associações de apoio a estes doentes - mas também de, em conjunto, melhor avaliar de que forma o relatório poderia já incluir algumas das preocupações e soluções consideradas como necessárias.
A conferência, que teve lugar em Outubro de 2010, contou ainda com a presença da actriz Tsilla Chelton, que no filme turco “Pandora Box” representou uma doente de Alzheimer, e que foi também à conferência dar conta do seu testemunho, e de José Mourinho, à época treinador do Real Madrid, que num testemunho video expressou também o seu apoio.
A Conferência foi um passo importante na elaboração do relatório precisamente por ter aberto a discussão fora de portas do Parlamento, permitindo a que quem no terreno intervém diariamente, pudesse ter uma palavra a dizer.