Marisa Matias: “Austeridade é incompatível com crescimento e emprego”

21 de março 2014 - 20:34
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Marisa Matias salientou também que uma “política orientada para a criação de emprego” não é compatível com o tratado orçamental.

Num encontro de trabalhadores da indústria automóvel, Marisa Matias salientou também que uma “política orientada para a criação de emprego” não é compatível com o tratado orçamental. A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, afirmou que o PS tem de clarificar a sua posição sobre a reposição de salários e pensões, realçando que “não pode ser contra a austeridade metade dos dias da semana e pela austeridade na outra metade dos dias da semana".

 

Nesta sexta-feira, decorreu em Lisboa um encontro de trabalhadores da indústria automóvel promovido pelo Bloco de Esquerda e o GUE/NGL com o tema “O setor automóvel europeu vs empregos e direitos”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda denunciou, à comunicação social, “que o governo mentiu e quer transformar em permanentes os cortes que eram transitórios” e questionou: “Quer também o PS apoiar a mentira de Pedro Passos Coelho e tornar permanentes os cortes que foram sempre anunciados como sendo transitórios?".

Catarina Martins salientou também que o governo está "cada vez mais isolado" em defesa da sua "estratégia falhada" para o país, um "atentado a quem trabalha e trabalhou toda uma vida" e destacou: “o Bloco de Esquerda tem uma posição bastante clara, defendemos que é preciso a renegociação da dívida. O PS, como sabemos, diz que quer uma alternativa, mas depois diz que afinal os cortes são para manter ou diz que quer cumprir compromissos internacionais que são incompatíveis com o futuro do nosso país. As eleições são também um momento para os portugueses julgarem a alternativa, a convicção da alternativa, e a determinação que existe em alterar o rumo do país”.

 

Marisa Matias: O ciclo vicioso da austeridade

"O ciclo vicioso da austeridade o que traz é recessão, a recessão traz desemprego, o desemprego traz desequilíbrio das contas públicas e volta-se ao início: austeridade", advertiu a eurodeputada Marisa Matias, sublinhando que “a austeridade é incompatível com o crescimento e o emprego”.

Marisa Matias afirmou também: “Eu entendo que é impossível haver uma política de esquerda, ou seja, uma política redistributiva, que seja orientada para o crescimento e para a criação de emprego, que seja compatível com o tratado orçamental”.

A eurodeputada lembrou ainda que “o reconhecimento que a chanceler Angela Merkel teve relativamente à fidelidade do PS com estas políticas do tratado orçamental, da austeridade, e que têm sido manifestadas várias vezes pelo cabeça de lista às europeias, Francisco Assis, mostra claramente qual é a linha divisória e qual é a discussão política de fundo e de clareza que vamos ter aqui no ato eleitoral”.

Por fim, sobre o encontro dos trabalhadores da indústria automóvel, Marisa Matias sublinhou que o Bloco de Esquerda, e o grupo parlamentar europeu em que se insere – o GUE/NGL – procura “dar voz aos trabalhadores da indústria automóvel”, lembrando que o setor representa “12 milhões de postos de trabalho na União Europeia”.

No documento aprovado no Encontro (aceda em pdf), os e as trabalhadoras “recusam a visão descartável do trabalho e exigem dos Governos, das empresas e da UE políticas de investimento, formação e criação de emprego, como forma de alteração da recessão que afeta a Europa e principalmente os países do Sul”.

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