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Incêndios: Ameaça de expropriação é "malabarismo" do ministro

O deputado bloquista Pedro Soares acompanhou o combate ao incêndio no Gerês e reagiu à proposta do ministro da Agricultura de expropriar os terrenos abandonados. "Não chega agora, no verão, tirar o coelho da cartola", diz Pedro Soares.
Pedro Soares diz que "o ministro tinha que trabalhar durante todo o inverno para se conseguir evitar, ou pelo menos diminuir, a incidência dos fogos florestais no verão". Foto Valter Jacinto/Flickr

“Vinda do ministro da Agricultura, a imagem que me surgiu quando ouvi essas declarações foi daqueles malabaristas que tiram o coelho da cartola”, disse à agência Lusa o deputado do Bloco que preside à Comissão Parlamentar de  Agricultura, Ambiente e Ordenamento do Território.

“O ministro tem de perceber que não chega agora, no verão, tirar o coelho da cartola. Ele tinha que trabalhar durante todo o inverno para se conseguir evitar, ou pelo menos diminuir, a incidência dos fogos florestais no verão”, respondeu Pedro Soares às declarações de Antonio Serrano.

Para o Bloco de Esquerda, “há instrumentos legais para uma melhor gestão da floresta”, como as “chamadas Zonas de Intervenção Florestal [ZIF], que estão há muito tempo à espera que o Ministério da Agricultura as ponha em funcionamento, e não põe”. “Falta um cadastro florestal para que possam entrar em funcionamento. Não tem havido incentivos por parte do Estado, apoios para que se criem essas ZIF, que seriam a melhor forma de co-gestão da propriedade florestal”, acrescentou Pedro Soares, responsabilizando o próprio ministro que "está quase há um ano no Governo e não tenho notícia de qualquer iniciativa sobre esta matéria”.

No início da sessão legislativa, o Bloco irá questionar o ministro da Agricultura sobre “como expropriar, com que instrumentos legais, com que objetivo e quem fará a gestão das propriedades expropriadas”, anunciou o deputado, sublinhando que “a taxa de execução do PRODER para os eixos ligados à floresta é miserável” e que “em geral o PRODER está em 20 por cento de execução, o que quer dizer que está atrasadíssimo”.

Durante a tarde de quinta-feira, Pedro Soares esteve  junto dos incêndios de Calcedónia e Vidoeiro (Terras de Bouro) e esteve com o Comandante Operacional Distrital, classificando a actual situação no Parque Nacional Peneda-Gerês como "grave, apesar do empenho dos bombeiros".

“Tive a informação da autoridade nacional de que o dispositivo de combate aos fogos florestais está preparado para 250 ocorrências por dia e neste momento a média é superior a 350 ocorrências por dia, o que quer dizer que por mais meios e dinheiro que seja gasto no combate directo ao fogo, são sempre insuficientes”, lamentou o deputado.

Pedro Soares defende que a única maneira de combater os incêndios “é a montante, é antes dos fogos, é no inverno e no outono fazer-se a prevenção, a limpeza das matas, ter mais equipas de sapadores florestais, fazer o reordenamento da floresta e promover as ZIF [Zonas de Intervenção Florestal] para uma melhor gestão das florestas”.
 

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