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Greve dos médicos continua com elevada adesão

A FNAM acusa o governo de criar um “clima de hostilidade” contra os médicos e de promover a desorganização dos serviços que só favorece os privados.
corredor de hospital
Foto de Paulete Matos.

Numa semana marcada por greves no setor da Saúde, esta quarta-feira realiza-se uma greve nacional de médicos convocada pela FNAM, no dia seguinte à paralisação convocada pelo SIM. A partir das 15h está convocada uma concentração em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

Ao início da manhã, a FNAM estimava a adesão à greve nos blocos operatórios em 90%, em linha com a participação da véspera, que o SIM estimou em 85% nos blocos operatórios, 75% nas consultas externas e 80% nos centros de saúde.

Em entrevista ao Diário de Notícias, o presidente da FNAM faz um balanço muito crítico da ação deste governo. “Aquilo que ficou aprovado no início, que era resolver o problema da contratação coletiva em quatro anos, não foi conseguido. Nem mudámos as horas de urgência de 18 para 12 de forma a que os serviços se organizassem melhor e não fizessem só urgência”, afirmou João Proença.

A falta de vontade negocial por parte do executivo, que os médicos afirmam não ter mudado com a alteração de titular da pasta da Saúde, traduz-se numa situação “estruturalmente suicidária”, que “leva a que as pessoas não se sintam motivadas e queiram sair para o estrangeiro”.

A situação no SNS “é mais grave do que se pensa”, prosseguiu João Proença, dando o exemplo dos 1.800 obstetras, dos quais 45% têm mais de 70 anos e apenas 800 trabalham nos serviços públicos.

“Os privados não asseguram serviços como a Neonatologia, só asseguram lucros. Tudo o que tem que ver com a Oncologia e Infeciologia [os privados] não querem”, afirmou o líder da FNAM à agência Lusa, dando o exemplo do Hospital da Luz, “que já fechou a Pediatria à noite”.

“Como é possível termos dois mil médicos que não conseguem entrar para os quadros? Fazem-no porque precisam deles para as empresas de trabalho temporário, que gastam muito mais dinheiro do que gastariam se estivessem todos a trabalhar para o serviço público”, denuncia João Proença na entrevista ao DN.

O líder da FNAM também não poupa críticas à promiscuidade entre público e privado na Saúde, com diretores de serviço que “trabalham nos dois lados e enviam doentes de um lado para o outro”, com acontece no hospital PPP de Loures.

Entre as reivindicações dos médicos estão a passagem das 18 para 12 horas semanais em serviço de urgência, a diminuição de 1.900 para 1.500 utentes por médico de família, a revisão da carreira e grelhas salariais, a diminuição da idade da reforma e a abertura imediata de concursos para os diferentes graus da carreira.

Também os enfermeiros do Sindepor escolheram esta semana para fazer uma greve de quatro dias, que teve início na terça-feira e contou com 75% de adesão, segundo as contas do sindicato. O Sindepor reclama o descongelamento das progressões independentemente do tipo de vínculo laboral e o acesso à reforma aos 35 anos de serviço e 57 anos de idade. Defendem também compensações para o desgaste e penosidade da profissão e do trabalho por turnos, o pagamento do suplemento remuneratório aos enfermeiros especialistas e a equiparação sem discriminações de todos os vínculos de trabalho.

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