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“Fundos europeus para mobilidade não criaram coesão territorial”

Marisa Matias apontou os problemas de mobilidade no Algarve, “na rede rodoviária e na rede ferroviária, que não está eletrificada” e denunciou que a estrada nacional 125, não é alternativa à Via do Infante e tem elevados níveis de sinistralidade, “que têm aumentado à medida que as pessoas deixam de ter dinheiro para pagar as portagens”.
Marisa Matias criticou: "A questão fundamental é a forma como os dinheiros europeus foram usados, não criaram maior coesão territorial e em muitos sítios também não promoveram verdadeiras alternativas a partir do momento em que elas passam a ser pagas"

Nesta sexta-feira, Marisa Matias fez o percurso entre Faro e Lagoa de autocarro na estrada nacional 125 e abordou os problemas da mobilidade.

"Se há investimentos comunitários para garantir essa mobilidade, obviamente não se pode criar uma autoestrada sem portagens e depois aplicar portagens à vontade do freguês, à vontade de quem vem substituir um Governo. A questão fundamental é a forma como os dinheiros europeus foram usados, não criaram maior coesão territorial e em muitos sítios também não promoveram verdadeiras alternativas a partir do momento em que elas passam a ser pagas", criticou a eurodeputada.

Marisa Matias lembrou que o financiamento que existiu “era para garantir que havia uma rede rodoviária em Portugal que pudesse servir as populações, já que estávamos muito atrasados a esse respeito”. No entanto, “acabámos por investir de tal maneira que conseguimos ter mais quilómetros de autoestrada por habitante do que por exemplo num país como a Alemanha” referiu a candidata bloquista, salientando que “isso não significa contudo que toda a população em Portugal esteja servida”. E exemplificou: “Há distritos que estão muito mal servidos este é um deles, Bragança é outro exemplo, Beja outro. Ou seja, houve investimento muitas vezes exagerado em alguns casos e que deixou regiões do país completamente isoladas”.

"A estrada nacional 125 não é alternativa à Via do Infante e tem elevados níveis de sinistralidade, “que têm aumentado à medida que as pessoas deixam de ter dinheiro para pagar as portagens”

Marisa Matias lembrou também “as promessas não cumpridas” e criticou:

“Este é um dos exemplos no país, que é muito conhecido não só pelo que se passa na Via do Infante - que foi prometido ser uma via sem pagamento de portagens, o que não está a acontecer - e depois obviamente aquilo que se passa aqui na nacional 125, com níveis de sinistralidade muito elevados, que têm aumentado à medida que as pessoas deixam de ter dinheiro para pagar as portagens".

Destacando que o novo quadro comunitário de apoio tem a lógica de nem "mais um quilómetro" de rede rodoviária, a eurodeputada defende que "tem que haver uma responsabilização do Governo" porque estas vias, como a estrada nacional 125, "não são alternativas".

A Lusa refere que Marisa Matias alertou ainda para o facto das empresas estrangeiras não quererem investir numa região onde não conseguem chegar, criticando ainda o sistema de pagamento que foi criado nas ex-Scut (vias sem custos para o utilizador) para o qual é preciso "quase ler um manual de instruções de 500 páginas".

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