Os Estados Unidos e o Reino Unido, com o apoio de uma coligação internacional que inclui Austrália, Bahrein, Canadá, Países Baixos, Dinamarca, Alemanha, Nova Zelândia e Coreia do Sul, bombardearam durante a noite desta quinta-feira várias zonas do Iémen controladas pelo grupo rebelde houthis.
Na declaração conjunta que emitiram, juram que o objetivo dos bombardeamentos é “reduzir as tensões e restaurar a estabilidade no Mar Vermelho” e “defender vidas e proteger o livre fluxo do comércio numa das rotas marítimas mais críticas do mundo face às ameaças contínuas”.
O governo do Reino Unido acrescentou que se tratou de “legítima defesa” contra os ataques a navios comerciais que têm ocorrido no Mar Vermelho porque “não podemos permitir que tentem sufocar o comércio global como um resgate para alcançarem quaisquer que sejam os seus objetivos políticos e diplomáticos”. Ameaça-se com possíveis “medidas adicionais” como disse à imprensa britânica o secretário de Estado para as Forças Armadas James Heappey, referindo que operação militar foi “limitada, proporcional e necessária”.
O presidente dos EUA tinha já na quinta-feira marcado o compasso deste discurso, ameaçando com “mais medidas diretas” para “proteger o nosso povo e o livre fluxo do comércio internacional”. Os bombardeamentos teriam sido assim uma “resposta aos ataques sem precedentes dos houthis contra navios internacionais no mar Vermelho”, que “colocaram em perigo militares norte-americanos, marinheiros civis e os nossos parceiros, prejudicaram o comércio e ameaçaram a liberdade de navegação”, afirmou Joe Biden.
De acordo com o porta-voz militar dos houthis, Yahya Sarea, os 73 ataques, que atingiram várias cidades como Sanaa, Hodeidah, Taiz, Hijjah e Saada, fizeram cinco mortos e seis feridos. O grupo justifica os seus ataques a navios com a solidariedade com o povo palestiniano. Na rede social X, Mohammed Abdulsalam, seu porta-voz, garantiu que os barcos que tenham como destino Israel continuarão a ser atacados.
Os houthis dominam parte significativa do norte do Iémen, governando desde 2014 a sua capital, Sana, e tendo conseguido resistir aos ataques persistentes de uma coligação liderada pela Arábia Saudita e que contou com o apoio dos Estados Unidos.
O Governo do Irão, seu tradicional aliado, critica os ataques por violarem a “soberania e a integridade territorial do Iémen”. Também o governo russo, através da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, apresenta queixas sobre os ataques, dizendo que “são mais um exemplo da perversão anglo-saxónica” das resoluções do Conselho de Segurança, estando em “desrespeito absoluto do direito internacional”. A seu pedido, o órgão deve reunir brevemente.
Tal como o Governo do Irão, o Kremlin acredita que estes ataques vão contribuir para mais “instabilidade e insegurança” e provocar uma “escalada regional” do conflito entre Israel e o Hamas.