Num relatório sobre a estabilidade financeira, divulgado nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) refere que o crédito malparado poderá levar a perdas dos bancos portugueses num montante de 20.000 milhões de euros.
O aumento do crédito mal-parado deve-se ao agravamento da crise, que se tem aprofundado com a política de austeridade imposta pela troika e pelo governo PSD/CDS. O agravamento da crise tem levado ao aumento do desemprego e de falências de empresas, repercutindo-se na banca pelo aumento do crédito mal-parado. Empresas e famílias, enfrentando situações cada dia mais difíceis, não conseguem pagar as suas prestações aos bancos.
O memorando da troika destinou 12.000 milhões de euros para o Estado português emprestar à banca. Desta linha de financiamento, o Estado emprestou, até agora, 3.000 milhões de euros ao BCP, 1.500 milhões ao BPI e 1.100 ao Banif. O Estado investiu ainda 1.650 milhões de euros na CGD, mas como acionista e não desta linha de financiamento.
Da linha de financiamento contemplada no memorando da troika restam atualmente 6.400 milhões de euros para o Estado ajudar os bancos e o FMI vem anunciar que, para além deste montante, o Estado poderá ter de lhes emprestar mais 8.000 milhões de euros.
Ainda segundo este relatório do FMI as perdas sem provisão da banca italiana poderão ascender a 53.000 milhões de euros. A banca de Espanha poderá ter perdas de 104.000 milhões de euros.
O FMI diz que o aumento do incumprimento das empresas em relação ao crédito bancário se concentra nos setores da construção e imobiliário, mas alastrou também à indústria e aos serviços. O Fundo defende que haja novo exame ao balanço da banca portuguesa, que vá para além da exposição à construção e imobiliário.
O Banco de Portugal tem focado a sua avaliação nos setores da construção e imobiliário, tendo detetado imóveis sobrevalorizados pela banca, chegando essa sobrevalorização a atingir 60%.