Estado pode ter de dar mais ajuda à banca, diz FMI

10 de outubro 2013 - 16:12

O FMI diz que os bancos poderão precisar de mais 8.000 milhões de euros, para além dos 12.000 milhões que lhe foram destinados pelo memorando da troika. As perdas da banca poderão ascender em Portugal a 20.000 milhões de euros. A situação da banca também se agrava em Espanha e Itália.

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Foto de Paulete Matos

Num relatório sobre a estabilidade financeira, divulgado nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) refere que o crédito malparado poderá levar a perdas dos bancos portugueses num montante de 20.000 milhões de euros.

O aumento do crédito mal-parado deve-se ao agravamento da crise, que se tem aprofundado com a política de austeridade imposta pela troika e pelo governo PSD/CDS. O agravamento da crise tem levado ao aumento do desemprego e de falências de empresas, repercutindo-se na banca pelo aumento do crédito mal-parado. Empresas e famílias, enfrentando situações cada dia mais difíceis, não conseguem pagar as suas prestações aos bancos.

O memorando da troika destinou 12.000 milhões de euros para o Estado português emprestar à banca. Desta linha de financiamento, o Estado emprestou, até agora, 3.000 milhões de euros ao BCP, 1.500 milhões ao BPI e 1.100 ao Banif. O Estado investiu ainda 1.650 milhões de euros na CGD, mas como acionista e não desta linha de financiamento.

Da linha de financiamento contemplada no memorando da troika restam atualmente 6.400 milhões de euros para o Estado ajudar os bancos e o FMI vem anunciar que, para além deste montante, o Estado poderá ter de lhes emprestar mais 8.000 milhões de euros.

Ainda segundo este relatório do FMI as perdas sem provisão da banca italiana poderão ascender a 53.000 milhões de euros. A banca de Espanha poderá ter perdas de 104.000 milhões de euros.

O FMI diz que o aumento do incumprimento das empresas em relação ao crédito bancário se concentra nos setores da construção e imobiliário, mas alastrou também à indústria e aos serviços. O Fundo defende que haja novo exame ao balanço da banca portuguesa, que vá para além da exposição à construção e imobiliário.

O Banco de Portugal tem focado a sua avaliação nos setores da construção e imobiliário, tendo detetado imóveis sobrevalorizados pela banca, chegando essa sobrevalorização a atingir 60%.