O Estado já pagou a primeira parcela da dívida do Europarque, tendo desembolsado 7,97 milhões de euros de um total de 31 milhões, mas o centro de congressos continua a ser gerido pela Associação Empresarial Portuguesa (AEP). A AEP declarou o ano passado que não tinha condições financeiras para continuar a assumir os encargos financeiros com este “elefante branco” do cavaquismo.
Inaugurado em 1995, pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, o negócio foi avalizado com a garantia de dinheiros públicos pelo ministro das Finanças desse Governo, Eduardo Catroga. Apresentado na altura como o maior centro de congressos, e como o exemplo de dinamismo da maior associação empresarial do país, a fatura para os contribuintes chegou agora.
Em declarações à agência Lusa, fonte das Finanças garantiu que o Estado só assumirá a gestão deste centro de congressos “se e quando” assumir a totalidade da dívida. Uma declaração que mereceu resposta do Bloco de Esquerda, que já tinha questionado o Governo sobre este negócio: “O Estado foi avalista de um negócio de privados que fizeram um calote que o Estado pagou com o dinheiro de todos nós, não lhes exigindo responsabilidades, deixando-os a gerir o Europarque”, declarou Pedro Filipe Soares.
O deputado do Bloco de Esquerda considera a situação, "no mínimo, caricata". "Há dois Estados em Portugal: um para quem trabalha; e outro para quem tem grandes interesses económicos", resume o deputado do Bloco.
Numa pergunta enviada ao Ministério das Finanças, o BE questiona se as garantias públicas relativas ao Europarque já foram executadas e que planos tem o Governo para o empreendimento. Pedro Filipe Soares pretende conhecer o “motivo do Estado não ter acionado as contragarantias que lhe são devidas e continua a AEP a gerir o Europarque como se nada se tivesse passado”.
"Apesar de o presidente da AEP reconhecer que o Europarque foi 'um disparate, um flop, um investimento falhado', a verdade é que agora a fatura desse investimento é paga à custa de todos os portugueses", protesta o Bloco.