Bizfirst. Em Portugal poucas pessoas se lembrarão deste nome. E em Moçambique o nome também estaria longe de ser popular. Mas é esta a empresa que está no centro da crise causada pelo colapso da principal rede multibanco moçambicana.
Esta situação arrasta-se no contexto de um braço de ferro entre a SIMO, detida em 51 % pelo Banco de Moçambique, sendo o capital restante dividido entre bancos comerciais moçambicanos, e a empresa de consultoria em sistemas de informação Business First Consulting, que pertencia ao universo SNL/BPN.
Gertrudes Tovela, responsável da SIMO, acusa a empresa portuguesa de chantagem por exigir condições impossíveis e Rogério Zandanela, do Banco de Angola, compara o ocorrido a "ataques cibernéticos".
Num comunicado de resposta, a Bizfirst acusa a SIMO de falta de pagamento. Em disputa está a interpretação sobre a continuidade ou não do contrato assinado com a Interbancos depois desta ter sido comprada pela SIMO em 2017. A empresa portuguesa tem insistido na renegociação do contrato de prestação de serviços e licenciamento de software e acusa a SIMO de uso ilícito de software.
A Bizfirst tinha ficado conhecida em Portugal quando apresentou uma queixa contra os ex-administradores do BPN. Depois da nacionalização do banco, a administração decidiu aderir ao sistema SIBS e deixar o sistema Netpay gerido por esta empresa. Entretanto esquecida, torna-se famosa em Moçambique. A associação de defesa do consumidor de Moçambique exige já indemnizações e a Confederação das Associações Económicas sublinha perdas enorme nos bancos, grandes centros comerciais (que estimam perder 90% da facturação), restaurantes e hóteis (que apontam para perdas de 70%).