"Esta taxa de juro é completamente incomportável, ela torna a dívida muito difícil e muito mais pesada no futuro”, declarou a deputada do Bloco Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas no parlamento.
Embora o Governo apresente a operação financeira desta terça-feira como um sucesso, os juros de 5,1% a pagar por uma economia com crescimento débil nos próximos anos só vai piorar a situação do país, considera Mariana Mortágua. “É um bom negócio para a banca e um péssimo negócio para o Estado", concluiu.
A deputada sublinhou não apenas os juros “incomportáveis” com que Portugal se financiou, mas também a disparidade entre o cenário “milagroso” que o Governo apresenta quando fala da evolução da economia e a perceção dos mercados financeiros em relação à dívida portuguesa. Os credores que esta agora investiram três mil milhões de euros em dívida portuguesa são sobretudo fundos de investimento, com 58% do total. Para a banca ficou 24%, às seguradoras e fundos de pensões coube 9% e aos fundos de risco (hedge funds) 4%. As ordens de compra chegaram sobretudo do Reino Unido (26% do total da dívida emitida), Portugal (17%), países escandinavos (15%) e do Benelux (12%).
Os juros cobrados são de 5,112%, a que há que acrescentar as comissões pagas aos bancos que o Estado contratou para realizar a emissão: Barclays, BES, Citi, Crédit Agricole e Société Générale.
Governo de Atenas também está pronto para o “regresso aos mercados”
Apesar da propaganda do Governo português, a descida das taxas de juro da dívida não é um exclusivo nacional ligado ao desempenho de Passos Coelho e Paulo Portas. Enquanto se discute a possibilidade de um novo empréstimo da troika, a Grécia viu esta semana os juros a 10 anos caírem para os 7,4%, o valor mínimo desde maio de 2010.
O responsável pela gestão da dívida grega, Stelios Papadopoulos, disse esta terça-feira ao Financial Times que acha possível voltar a emitir dívida de curto prazo ainda este ano. No mês passado, o ministro das Finanças Yannis Stournaras disse ao mesmo jornal que esperava o “regresso aos mercados” no segundo semestre, com uma emissão até 2 mil milhões de euros a cinco anos.