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“Direita é o vírus do despesismo e do empobrecimento”

Em Aveiro, Marisa Matias respondeu à afirmação de Paulo Rangel, de que a sua campanha “é da vacina contra o despesismo”, acusando a direita de ter aumentado a dívida pública de 90% para 130% do PIB e de ter deitado para o lixo 18.000 milhões de euros. João Semedo considerou que o PS não quer ser empurrado para a esquerda e lembrou que, quando Vítor Gaspar e Paulo Portas se demitiram, o PS deu "a mão à direita".
Foto de Paulete Matos

O Teatro Aveirense encheu nesta segunda-feira, com muitas pessoas a ficarem em pé para assistirem ao comício do Bloco de Esquerda. Depois de um momento musical com Rui Oliveira, intervieram Odete Costa, dirigente do Bloco de Aveiro, João Lavinha, segundo candidato às europeias, Pedro Filipe Soares, João Semedo e Marisa Matias.

Vacina contra o despesismo é colocarmos o emprego no centro da política”

“27.000 milhões de euros de cortes em salários, em pensões, em educação, em saúde, em Estado Social para reduzir o défice em apenas 9 mil milhões de euros? Eu digo: Despesismo é deitar para o lixo 18 mil milhões de euros que eram nossos e foram para o lixo”, afirmou Marisa Matias, acusando a direita de despesismo e empobrecimento.

“Vacina contra o despesismo da coligação dos submarinos, que não tem vergonha e põe à frente da comissão de inquérito o ex líder parlamentar de Paulo Portas?”, insistiu a eurodeputada, e declarou:

“Vacina contra o despesismo há só uma e ela chama-se o contrário da austeridade!”

Marisa Matias defendeu então que vacina contra o despesismo é a “reestruturação da dívida, é libertar recursos para criar emprego e crescimento, é a recusa do tratado orçamental, é dizer que não queremos mais vinte ou trinta anos de níveis de austeridade, como tivemos nos últimos três anos”.

Marisa Matias lembrou também que, neste dia 20 de maio, em Timor-Leste se celebra 12 anos de independência e afirmou: “Nós nunca deixaremos de nos comover de cada vez que um povo se liberta da opressão”

Marisa Matias realçou que vacina contra o despesismo é “colocarmos o emprego no centro da política” e sublinhou ainda que “é quando conseguirmos ter um país a produzir riqueza para viver melhor e um projeto europeu que se preocupa mais com a coesão social e territorial do que com a recomposição dos lucros dos mercados financeiros”.

A eurodeputada lembrou também que, neste dia 20 de maio, em Timor-Leste se celebra 12 anos de independência e afirmou: “Nós nunca deixaremos de nos comover de cada vez que um povo se liberta da opressão”.

Marisa Matias saudou também a vitória do Syriza nas eleições na Grécia, em Atenas e na Ática, e condenou a "gigantesca campanha contra tudo o que é público", cujo fim "é transformar o Estado num estado assistencialista" para que um "pequeno punhado de amigos do Governo" possa receber as rendas.

PS não quer ser empurrado para a esquerda”

"Temos ouvido algumas opiniões que nos dizem que a esquerda deve votar no PS para empurrar o PS para a esquerda. Mas será que o PS de Seguro quer ser empurrado para a esquerda ? Essa é que a pergunta. Não querem e não é de hoje", afirmou João Semedo.

"Temos ouvido algumas opiniões que nos dizem que a esquerda deve votar no PS para empurrar o PS para a esquerda. Mas será que o PS de Seguro quer ser empurrado para a esquerda ? Essa é que a pergunta. Não querem e não é de hoje", afirmou João Semedo.

O coordenador do Bloco de Esquerda, para falar da velha ilusão socialista, lembrou a estória do "bom escuteiro" que insistia em ajudar uma velhinha a atravessar a rua, quando esta não o queria.

Salientando que "não é de agora esta ilusão", Semedo recordou que António Guterres e José Sócrates também não quiseram ser empurrados para a esquerda e falou do momento da demissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas: "Nesse momento, o PS podia ter-se virado para a esquerda. E o que fez? Deu a mão à direita. Passou quase um ano e vimos bem o que o povo sofreu por causa dessa mãozinha que o PS estendeu à direita".

João Semedo alertou ainda para o elevado preço que pode custar a ilusão de empurrar o PS para a esquerda, salientando que "não é só em Portugal que os socialistas não querem nada com a esquerda", já que acontece o mesmo na Grécia, Alemanha e França.

"Este PS não quer governar com a esquerda, não quer olhar para a esquerda, não quer ser empurrado para a esquerda. Mas quer enganar a esquerda! O preço da nossa ilusão será pago com uma profunda desilusão", frisou Semedo.

O coordenador do Bloco afirmou ainda que "o melhor voto" para derrotar a austeridade, a direita, o Governo e construir uma alternativa de esquerda é votar no Bloco.

Raspadinha” em que nunca sai prémio

O líder do grupo parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, começou por realçar “os ecos de uma utopia a ser transformada em realidade no meio do Mediterrâneo”, referindo-se aos excelentes resultados do Syriza nas eleições municipais e regionais gregas e sublinhou que o Syriza prova “que é possível ser alternativa e vencer o pântano do centrão”.

Pedro Filipe Soares considerou que, ao contrário do que o cabeça de lista do PS disse, há "motivo para apontar o dedo" ao PS.

"Se eles assinaram o tratado orçamental, também votaram muitas vezes ao lado da direita. Aliás, se um eurodeputado do PS no último mandato, se levantasse de manhã, fosse ao espelho e perguntasse: 'Espelho meu, espelho meu, há alguém que vote como eu?', a resposta que lhe daria é que há. É a direita da Europa e de Portugal", acusou.

O líder do grupo parlamentar do Bloco lembrou ainda o popular jogo da raspadinha para afirmar:

“Nesta raspadinha europeia se nós escolhermos a raspadinha do PS, a raspadinha do PSD ou do CDS, raspamos e não sai prémio, sai tratado orçamental e sai sempre!”

Coesão social e solidariedade cedeu lugar a coação do centro sobre a periferia da UE

Na sua intervenção, João Lavinha começou por referir que esta era a sua segunda atividade política em Aveiro.

“A primeira foi há mais de 40 anos. Participei no Congresso Democrático Republicano. Na altura, antes do 25 de Abril, lutávamos pela democracia, e não era só política, era económica, social e cultural. Saímos daqui cheios de esperança e nem sabíamos que um ano e pouco depois viria o 25 de Abril. E quando veio o 25 de Abril, não sabíamos que 40 anos depois estaríamos na situação atual”, afirmou o segundo candidato do Bloco às europeias.

Recordando o projeto europeu de paz, de bem estar social e ambiental, João Lavinha considerou que as eleições para o PE são um “excelente momento para fazer um ponto de situação sobre este projeto”.

João Lavinha salientou então que “a resolução pacífica dos conflitos deu lugar ao belicismo”, exemplificando com os casos da ex-Jugoslávia, Líbia, e as tomadas de posição na Síria e na Ucrânia.

O candidato bloquista salientou também que “a coesão social e a solidariedade cedeu lugar a uma política de coação do centro sobre a periferia da União Europeia” e que “o mesmo aconteceu relativamente ao empenho da UE quanto às alterações climáticas”, exemplificando com diversas situações e considerando que “o ambiente outrora uma prioridade da UE tem vindo a ser relegado para uma segunda ordem e subjugado às urgências de natureza económica”.

"O país está mais pobre e mais desigual"

Na primeira intervenção, Odete Costa considerou que "o país está mais pobre e mais desigual", que “a crise foi uma oportunidade para os mais ricos” e salientou: "A troika aterrou com as malas cheias de sacrifícios e sabemos 3 anos depois que a terra prometida foi afinal a terraplanagem dos direitos".

Sublinhando que "o abuso tem sido este governo e a troika", a dirigente aveirense do Bloco considerou que “estas são as eleições em que nos levantamos para fazer frente aquém nos quis colocar o pé em cima”.

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