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Denunciante do “Football Leaks” recusa extradição para Portugal

Os advogados de Rui Pinto confirmam que o português é o denunciante dos documentos conhecidos por “Football Leaks”, que desencadearam investigações judiciais aos negócios em torno do futebol em vários países europeus.
Foto Marco Verch/Flickr

Das fraudes fiscais generalizadas por parte de clubes e empresários às violações das regras de “fair play” financeiro da UEFA através de injeções massivas de dinheiro por parte de bilionários russos, árabes ou chineses; do uso de offhores para esconder rendimentos por parte das super-estrelas dos relvados como Ronaldo e Messi até aos esquemas de viciação de resultados em várias ligas de futebol. Os documentos do “Football Leaks” — documentação e correspondência interna de grandes clubes de futebol europeus — foram recebidos e editados nos últimos anos por dezenas de jornalistas da rede European Investigative Collaborations. Esta rede é composta por 15 meios de comunicação, entre os quais o português Expresso. E as suas notícias deram origem a processos do fisco e da justiça de vários países europeus contra clubes, empresários e jogadores.

Esta quinta-feira foi confirmado que um dos denunciantes dos documentos do Football Leaks é o português Rui Pinto, detido esta semana na Hungria na sequência de um mandado de detenção emitido pela Polícia Judiciária. Em comunicado, os seus advogados anunciaram que se irão opor à extradição para Portugal e invocaram “as últimas disposições da legislação europeia e de muitos países europeus” para afirmar que o seu cliente “cumpre todos os critérios de proteção dos denunciantes (whistleblowers)”.

“A importância da indústria do futebol não deve ser utilizada para manter na opacidade as prática gravemente contrárias à lei que no mundo deste desporto se verificam”, argumentam os advogados, que também estranham a velocidade de execução do mandado de detenção e a “súbita celeridade do processo”. E acrescentam que o seu cliente “foi seriamente ameaçado, sendo o seu silêncio o objetivo de muitos intervenientes no mundo do futebol”.

Rui Pinto é representado pelo advogado português Francisco Teixeira da Mota e pelo francês William Bourdon, que já defendeu denunciantes como Edward Snowden, Hervé Falciani (Swissleaks) e Antoine Deltour (Luxleaks), para além do fundador do Wikileaks, Julian Assange.

A Polícia Judiciária esteve presente em Budapeste na detenção de Rui Pinto e afirmou em comunicado que “em causa estão factos suscetíveis de integrarem crimes de extorsão qualificada na forma tentada, acesso ilegítimo, ofensa a pessoa coletiva e violação de segredo”. Os advogados do denunciante dizem que na origem do mandado de detenção está uma queixa do fundo Doyen Sports Investment Limited e acusam as autoridades portuguesas de se terem "precipitado" ao deter Rui Pinto.

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