Chefe da troika reforma-se aos 61 e volta a ser contratado

02 de novembro 2013 - 18:22

O alemão Jürgen Kröger é grande defensor do aumento da idade da reforma, mas aposentou-se cedo e foi contratado de novo como conselheiro especial, acumulando duas remunerações, noticia o Expresso. Tudo ao contrário do que eram as suas prescrições quando chefiou a representação da Comissão Europeia para Portugal.

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Kröger prescreve o aumento da idade da reforma e reforma-se aos 61 anos; prescreve cortes nas pensões e subsídios mas acumula duas remunerações milionárias. Foto da Keeptalking Greece

O alemão Jürgen Kröger, que chefiou a representação da Comissão Europeia para Portugal e foi por isso um dos membros da troika que veio a Portugal nas sucessivas avaliações para prescrever austeridade e medidas como o aumento da idade da reforma, reformou-se em julho deste ano com 61 anos e voltou a ser contratado como conselheiro especial do comissário europeu Olli Rehn no âmbito do Grupo de Apoio para Portugal, noticia o Expresso deste sábado.

O ex-representante da troika reformou-se quando completou 30 anos de serviço, com direito a 60% do valor do último salário – um valor a que o jornal não teve acesso mas que calcula que será entre 7.900 e 10.151 euros por mês. Este valor é acumulado com a remuneração que Kröger irá receber no novo cargo, que será paga por dia de trabalho efetuado e que terá o valor máximo de 46.900 euros em 12 meses. O Expresso apurou que o dia de trabalho do conselheiro especial vale 469 euros.

Recorde-se que na sétima avaliação do Memorando, a troika defendeu a subida da idade da reforma para 67 anos, considerada excessiva pelo ministro Mota Soares, que anunciou a subida para 66 anos.

Recentemente, Kröger foi convidado a falar no Fórum Europeu de Alpbach, na Áustria, pouco mais de um mês depois de se reformar, e defendeu o aumento da idade da reforma, para ajustá-la ao aumento da esperança de vida.

Faz o que digo, não o que faço

Recorde-se que o contraste entre as prescrições para os países que visitam e as regras sobre as quais vivem são muito comuns entre os representantes da troika. Kröger prescreve o aumento da idade da reforma e reforma-se aos 61 anos; prescreve cortes nas pensões e subsídios mas acumula duas remunerações milionárias.

Já Poul Thomsen, o ex-chefe da missão da troika em Portugal, que defendia a redução de salários e o corte na TSU, vive em Washington, a capital dos Estados Unidos, numa mansão de três pisos, que lhe terá custado mais de 1.505.000 dólares. Ganhará mais de 309.000 dólares por ano, de acordo com o nível B05 do FMI. E, como funcionário do FMI não-americano residente nos Estados Unidos, grande parte dos seus rendimentos são livres de impostos – uma das benesses garantida pelo FMI aos seus funcionários. E ainda terá tido em 2011 um aumento no seu vencimento de 4,9% - o aumento garantido pelo FMI.