Bloco requer audição urgente de Secretário de Estado sobre a privatização dos CTT

08 de outubro 2013 - 18:39

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua sublinhou que o governo PSD/CDS-PP “deve responder por cada passo da privatização” dos CTT e voltou a reforçar que a decisão do executivo é lesiva para os cidadãos e a economia do país.

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Foto de Paulete Matos.

A dirigente bloquista entregou esta terça feira um requerimento a solicitar, com caráter de urgência, a audição do secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro, sobre o processo de privatização dos CTT.

"O Governo terá já um modelo e, ao que se apresenta, este modelo passa por uma dispersão do capital em bolsa. Consideramos que o Governo tomou uma decisão errada ao decidir a venda desta empresa e deve responder por cada passo da sua privatização", afirmou a dirigente do Bloco em declarações à agência Lusa.

"Do ponto de vista financeiro, [os CTT] deram lucros ao Estado de 400 milhões [de euros] e o Governo diz que quer vender por 600 milhões. Não faz sentido. É uma empresa eficiente e determinante para a coesão territorial em Portugal", defendeu Mariana Mortágua.

Segundo a deputada do Bloco, não existe motivo para justificar tal privatização, "a não ser o preconceito que este Governo tem contra aquilo que é o serviço público, aquilo que é universal, que é a democracia e é de todos".

No documento endereçado ao Vice-Presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, o Bloco adianta que “a submissão da presença postal às exigências de rentabilidade levará, inevitavelmente, a uma degradação ainda maior das condições da empresa, da sua presença territorial e da qualidade do serviço prestado”. “Enquanto o Governo fala na necessidade de modernização, nada é feito nesse sentido, apenas o seu contrário”, frisa.

“A opção pela privatização dos CTT é uma decisão lesiva dos interesses dos cidadãos. Acresce que se analisarmos o resultado de privatizações anteriores, identificamos que esse processo resultou numa clara fuga de capitais para o estrangeiro, com a distribuição dos dividendos pelos acionistas”, afirma o Bloco, sublinhando que “esta ação agudiza a situação financeira do país”.

“É essencial que os cidadãos saibam qual o futuro da empresa, os serviços que serão mantidos e extintos, a estratégia delineada para garantir o serviço universal postal, o número de trabalhadores que serão mantidos na empresa e quais as condições de venda da empresa”, defende, salientando que “o debate e a fiscalização em torno deste processo são fulcrais”.

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