A dirigente bloquista entregou esta terça feira um requerimento a solicitar, com caráter de urgência, a audição do secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro, sobre o processo de privatização dos CTT.
"O Governo terá já um modelo e, ao que se apresenta, este modelo passa por uma dispersão do capital em bolsa. Consideramos que o Governo tomou uma decisão errada ao decidir a venda desta empresa e deve responder por cada passo da sua privatização", afirmou a dirigente do Bloco em declarações à agência Lusa.
"Do ponto de vista financeiro, [os CTT] deram lucros ao Estado de 400 milhões [de euros] e o Governo diz que quer vender por 600 milhões. Não faz sentido. É uma empresa eficiente e determinante para a coesão territorial em Portugal", defendeu Mariana Mortágua.
Segundo a deputada do Bloco, não existe motivo para justificar tal privatização, "a não ser o preconceito que este Governo tem contra aquilo que é o serviço público, aquilo que é universal, que é a democracia e é de todos".
No documento endereçado ao Vice-Presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, o Bloco adianta que “a submissão da presença postal às exigências de rentabilidade levará, inevitavelmente, a uma degradação ainda maior das condições da empresa, da sua presença territorial e da qualidade do serviço prestado”. “Enquanto o Governo fala na necessidade de modernização, nada é feito nesse sentido, apenas o seu contrário”, frisa.
“A opção pela privatização dos CTT é uma decisão lesiva dos interesses dos cidadãos. Acresce que se analisarmos o resultado de privatizações anteriores, identificamos que esse processo resultou numa clara fuga de capitais para o estrangeiro, com a distribuição dos dividendos pelos acionistas”, afirma o Bloco, sublinhando que “esta ação agudiza a situação financeira do país”.
“É essencial que os cidadãos saibam qual o futuro da empresa, os serviços que serão mantidos e extintos, a estratégia delineada para garantir o serviço universal postal, o número de trabalhadores que serão mantidos na empresa e quais as condições de venda da empresa”, defende, salientando que “o debate e a fiscalização em torno deste processo são fulcrais”.