Bloco defende que EUA devem assumir responsabilidades ao saírem das Lajes

10 de abril 2013 - 0:37

Catarina Martins reuniu com a Comissão de Trabalhadores da Base das Lajes e quer esclarecimentos de Paulo Portas e Aguiar Branco sobre o estado das negociações. "Os americanos devem sair, mas devem assumir as suas responsabilidades sociais económicas e ambientais na ilha Terceira", defendeu a coordenadora bloquista, que também quer ver alargado à SATA o acordo alcançado na TAP.

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O futuro da Terceira com a redução do contingente militar dos EUA ainda é incerto, tal como as compensações negociadas com Washington. Foto Força Aérea dos EUA

Para a coordenadora do Bloco, o plano de saída das tropas norte-americanas deve incluir contrapartidas que passem por "um projecto de desenvolvimento para a ilha Terceira, que seja um desenvolvimento sustentado para o futuro, que tenha sentido e que possa dar mais força à economia da Região". E para isso, "o Governo português tem de ter uma posição negocial forte de exigir a reparação de todos os danos", afirmou à agência Lusa durante a visita a Angra do Heroísmo, onde se reuniu com os trabalhadores da base das Lajes.

Catarina Martins anunciou que o Bloco vai pedir esclarecimentos ao Ministério da Defesa e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros "sobre o andar das negociações e exactamente sobre o que Portugal está a exigir aos americanos", uma vez que atualmente o Governo de Passos Coelho anda a "negociar nas costas do Governo Regional, nas costas da autarquia e nas costas dos trabalhadores".

 

A redução do contingente militar norte-americano na base das Lajes terá um impacto "enorme" na economia açoreana. O cálculo é dos empresários do grupo Business Executives for National Security no relatório entregue aos Governos nacional e regional. O contributo de Washington representa 3% do PIB açoreano e 14% do da Terceira, calcula o relatório, situando essa contribuição entre 82 e 117 milhões de euros anuais. As propostas do grupo de empresários norte-americanos vão desde a aposta em 'call-centers' até ao registo de propriedade de aviões, tornando os Açores uma "bandeira de conveniência", passando pela instalação de um centro de dados ou a aposta no turismo e na produção de vinho e flores.

 

Acordo da TAP deve ser aplicado aos trabalhadores da SATA

Para já, no regresso a São Bento a coordenadora do Bloco começou por insistir junto do Ministério da Economia para que evite a greve de seis dias convocada pelos trabalhadores da transportadora aérea açoreana. Depois de alcançado o acordo que permitiu repor os cortes salariais na TAP - entretanto declarados inconstitucionais -, as condições desse acordo estão agora a ser negadas aos trabalhadores da SATA.

"O Governo Regional dos Açores afirma não ter condições para implementar esse acordo, por falta de documento legal do Governo de Portugal", lembra o requerimento entregue esta terça-feira na Assembleia da República. O Bloco de Esquerda considera "inaceitável o prejuízo que está a ser imposto aos trabalhadores da SATA" e exige que a situação seja reparada com urgência e a tempo de evitar a greve.