O Boletim Económico de Outono do Banco de Portugal indica que "as condições no mercado de trabalho continuaram a deteriorar-se no primeiro semestre de 2013", com o desemprego de longa duração a atingir "60 por cento do total de desempregados, o que é consistente com a diminuição acentuada do número de novas contratações".
O Banco de Portugal aponta ainda a queda da população ativa em Portugal, em grande parte resultante das políticas de destruição de emprego que têm vindo a ser desenvolvidas nos últimos anos. "A queda da população ativa de 2% por cento em termos homólogos na primeira metade do ano é muito significativa em termos históricos", indica o Boletim publicado esta terça-feira.
"Aumento do desemprego implica penalização salarial no regresso ao trabalho"
O relatório também se debruça sobre os efeitos do aumento do desemprego na queda salarial em Portugal, bem como o aumento em flecha dos contratos precários, destino de 85% dos desempregados que voltam a encontrar trabalho. E os trabalhadores que iniciaram contrato em 2012 recebem um salário 11% inferior aos que terminaram o contrato no ano anterior, numa rotação que afetou 776 mil trabalhadores.
Decompondo as variações dos salários, o Banco de Portugal conclui que mais de metade dos trabalhadores portugueses (cerca de 55%) viram o seu salário congelado ou cortado no ano passado, sendo que um quinto dos que viram congelada a remuneração recebiam salário mínimo. 39,4% dos trabalhadores sofreram pelo menos um corte salarial nos últimos dois anos, revela ainda o relatório.
Com este panorama, o anúncio do Governo de que em 2014 serão destruídos mais 22 mil postos de trabalho vem agravar ainda mais as perspetivas do desemprego de longa duração, já que 35% dos desempregados procuram emprego há mais de dois anos e 60% há mais de um ano. Quanto às perspetivas da nossa economia em relação à média europeia, o Banco de Portugal conclui que "desta forma, continuará o processo de divergência real entre Portugal e a média da área do euro, com o alargamento do diferencial negativo acumulado desde o início da união monetária para mais de 10 por cento".