Está aqui

Banca armada: grupo denuncia investimentos espanhóis na indústria da guerra

BBVA, Banco Sabadell, Bankia, Santander e CaixaBank investiram cerca de 12 mil milhões de dólares na indústria de armamento. Os bancos portugueses terão investido 49 milhões, 33 milhões através da Caixa Geral de Depósitos.
Imagem da campanha Banca Armada.
Imagem da campanha Banca Armada.

São várias organizações não-governamentais e juntaram-se na campanha Banca Armada. Trataram de ir às reuniões de acionistas dos principais bancos espanhóis para denunciar o seu envolvimento no financiamento da indústria do armamento.

A 13 de março, os acionista do BBVA reuniram-se. Longe de estar preocupados com o facto deste ser o banco espanhol que mais investe, todos os anos, na indústria das armas. Foram 4.450 milhões de euros segundo informa a Banca Armada. O apoio desta instituição financeira à fabricação de armamento nuclear aumentou.

A 26 de março, foi a vez do Banco Sabadell. Também este envolvido segundo o relatório Shorting our security: Financing the companies that make nuclear weapons no negócio das armas nucleares, tendo triplicado, entre 2017 e 2019 o apoio a uma das empresas do setor a AECOM e passando a investir noutra envolvida no mesmo General Dynamics.

Um dia depois, reuniam os acionistas da Bankia que tinha concedido crédito no valor de 55 milhões de euros à espanhola Maxam, apresentada como “uma das maiores produtoras de explosivos” em 2014 e que financia a Indra em quase 30 milhões. Esta última, que dedica um quarto da sua produção à eletrónica militar, é acusada de lucrar com a gestão das políticas de controlo fronteiriço que vulnerabilizam os direitos básicos de refugiados que fogem de conflitos como o do Iémen.

Em três de abril reuniu-se o Banco Santander que contabiliza ligações com 15 empresas do setor das armas, num total de investimento de três mil milhões de euros. A Maxam e a Indra também estão no lote de empresas financiadas.

O CaixaBank reuniu na passada sexta-feira e também investiu 121 milhões de euros no ramo entre 2014 e 2019. A Maxam é mais uma vez uma das beneficiárias. E esta instituição financeira faz mesmo parte da estrutura acionista da Indra.

De forma a ilustrar a dimensão do valor a campanha diz que este daria para comprar oito milhões de testes à covid-19.

Esta campanha é constituída por oito organizações: Centre Delàs d’Estudis per la Pau, SETEM, Justicia y Paz, ODG, Col·lectiu Rets, AA-MOC, FETS e Fundació Novessendes que se apresentam na página do projeto.

Segundo os dados que apresentam, a Espanha ocupa o oitavo lugar mundial na quantidade de dinheiro que os bancos investem na indústria do armamento com 11.996 milhões de dólares. Portugal está em 28º com 49 milhões. O banco público é que mais faz este tipo de investimento. A Caixa Geral de Depósitos terá investido 33 milhões. O Banco Português de Investimento 16.

Termos relacionados Internacional
(...)